A Associação Brasileira de Supermercados – Abras divulga alta de 5,57% nas vendas reais do setor, no primeiro semestre deste ano. Segundo a Associação, o crescimento supermercadista brasileiro está intimamente ligado ao fortalecimento de compra das classes C* e D*. Em 2007, 37% dos lares brasileiros se encaixavam na classe C, um ano depois já eram 44%, aumento de 2,3 milhões de domicílios, de acordo com a última pesquisa realizada pela Nielsen.
A concentração da população e o aumento do poder aquisitivo fizeram com que esse público criasse um perfil de consumo próprio, buscando qualidade e menor preço. O crescimento da classe C e, conseqüentemente de seu consumo, tem mudado o cenário do varejo. As empresas procuram se adequar, e a criação de marcas próprias dos supermercados tornou-se uma estratégia para baratear o preço e proporcionar qualidade do produto. O gerente do supermercado Nacagami – da Rede Econômica em Aquidauana, Alvino Pereira da Silva, afirma que: “A marca própria proporciona competitividade no preço com as mais conhecidas, e com a mesma qualidade. Fechamos acordos periodicamente com nossos fornecedores. Hoje, temos por volta de 15 produtos de nossa marca”.
Silva ainda aponta outra mudança de comportamento, “atualmente o cliente não faz mais a feira mensal, ele compra várias vezes durante o mês, pois sabe quando comprar mais barato. Por isso, criamos a ‘sexta da carne’ e a ‘quinta da feira”.
Para o economista e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Ricardo Senna, o crescimento da classe é explicada pelas mudanças econômicas e sociais que o País tem passado: “Com o plano real e os projetos de auxílio econômico do atual Governo, o trabalhador conseguiu estabilidade econômica. As taxas de desemprego diminuíram, criando condição de consumo à classe C. Isso muda o perfil do consumidor, que anteriormente comprava produtos populares e, hoje, deseja produtos das classes A* e B*, buscando qualidade e não só, preço baixo”.
Com estabilidade financeira e melhores condições na aquisição de crédito, as classes C e D passam a consumir não apenas os produtos de necessidade. Senna comenta que viagens, carros e produtos eletroeletrônicos deixam de ser apenas um desejo e tornam-se realidade.
*A classificação da população em classes foi instituída pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa – ABEP.