Na última semana, o presidente Lula sancionou a lei que cria o Estado Maior das Forças Armadas e dá poder de polícia às Forças Armadas. De acordo com a Força Sindical, o tráfico de armas e de drogas do Paraguai e da Bolívia, que passa por Mato Grosso do Sul, uma das principais rotas desses crimes, vai reduzir drasticamente com a aprovação da lei.
“Essa é uma das principais mudanças da lei. Ela autoriza, por exemplo, o Exército a revistar pessoas e veículos, fazer patrulhamento e até prisões em fragrante delito”, avalia Idelmar da Mota Lima, presidente da Força Sindical Regional Mato Grosso do Sul.
Idelmar também preside a Fetracom/MS (Federação dos Trabalhadores no Comércio e Serviços de Mato Grosso do Sul), entidade que representa mais de 100 mil trabalhadores no Estado. Ele afirma que a segurança das famílias será muito melhor na região da fronteira e em todo o país, pois, com a “força policial” das Forças Armadas haverá mais apreensões de drogas e armas que entram livremente no Brasil e passam pelas grandes extensões de fronteira seca que o Brasil faz com vários países vizinhos.
Em Mato Grosso do Sul, a fronteira seca com a Bolívia e o Paraguai soma 753 quilômetros de extensão. “É uma região muito extensa para fiscalização apenas das polícias civil, militar e federal. O uso das forças armadas nessa tarefa de conter o crime na fronteira do Estado é um sonho antigo do povo sul-mato-grossense”, explica Idelmar.
A nova lei ainda reforça o poder do ministro da Defesa, pois atribui a ele o poder de indicação dos comandantes das Forças Armadas, hoje sob responsabilidade do presidente da República.
Segurança Pública
O presidente da Força Sindical e da Fetracom disse que as famílias que vivem na região de fronteira convivem constantemente com a insegurança, em função da ação de bandidos. Ele tem recebido inúmeros relatos de comerciários que trabalham em municípios na faixa de fronteira com os dois países (Bolívia e Paraguai), no lado sulmatogrossense, e o temor pela falta de segurança é muito grande.
Idelmar acredita que as coisas vão melhorar muito a partir do pleno vigor dessa nova lei. Segundo ele, é pela fronteira seca que entram muitos dos armamentos que vão parar nas mãos de grupos como o Comando Vermelho e o PCC, ambos, com “filiais” nas regiões de Pedro Juan Caballero (fronteira com Ponta Porã) e Capitán Bado (fronteira com Coronel Sapucaia).
Além do tráfico, a possibilidade de que os militares atuem com poder de polícia deve servir, também, para inibir outras atividades ilegais fronteiriças, como o contrabando e o roubo de carros. No caso do contrabando, um dos focos da repressão seria o cigarro trazido ilegalmente do país vizinho. “Vamos aguardar e torcer para que as mudanças se realizem e que tenhamos um Mato Grosso do Sul e um Brasil, de maneira geral, mais seguros”, finaliza o sindicalista. / (com assessoria)