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Missão uruguaia visita Mato Grosso do Sul para conhecer a aquicultura do estado

A troca de informações na área da pesca e aquicultura vai abranger várias atividades de conhecimento

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Para conhecer de perto a experiência brasileira na criação em cativeiro de espécies das bacias dos rios Paraná e Paraguai, uma delegação de uruguaios visitou esta semana o Mato Grosso do Sul. A visita faz parte de um acordo de cooperação técnica para desenvolvimento da pesca e aquicultura firmado entre Uruguai e Brasil no fim de julho no encontro de fronteira do presidente Lula com o presidente Uruguai, José Mujica, em Santana do Livramento (RS). O memorando de entendimento foi assinado pelos ministros da Pesca e Aquicultura, Altemir Gregolin, e da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, Ernesto Agazzi.

A troca de informações na área da pesca e aquicultura vai abranger várias atividades de conhecimento de ambos os países. O Uruguai, por exemplo, tem o domínio do ciclo evolutivo para criação em cativeiro do esturjão, cuja ova produz caviar de excelente qualidade com grande reconhecimento internacional. Nos últimos quinze anos esta produção triplicou por lá. Domina a pesca de arrasto de meia água, que possibilita a captura da anchoita e tem uma grande experiência na captura de atuns. Já o Brasil domina a produção em cativeiro da tilápia, pintado, pacú e tambaqui que são muito apreciados no Uruguai e na Argentina. A tilápia, aliás, é uma espécie que tem sido aproveitada em toda a América Latina devido ao seu acelerado crescimento e pela fácil aceitação de sua carne.

No Mato Grosso do Sul a delegação, composta por quatro pessoas, foi recebida pelo Superintendente Federal de Pesca e Aquicultura no estado, Paulo Roberto da Silva e visitou dois empreendimentos do projeto Pacu, além da propriedade do aquicultor Lúcio Bastos em Sidrolândia. Segundo o superintendente este intercâmbio possibilitará a troca de conhecimento e informações tecnológicas, dando oportunidade para a expansão dos empreendimentos.

O Diretor Nacional de Recursos Aquáticos da Dinara (Direccion Nacional de Recursos Acuaticos) Daniel Gilardoni disse que seu país tem larga tradição governamental na pesca marítima, mas que a aquicultura ainda tem muito por desenvolver e está limitada à exploração em água doce. Como os recursos naturais da pesca em rios está em seu limite de crescimento, a saída é o investimento do pescado em cativeiro. Para ele, a troca de informações e conhecimento da exitosa experiência sul-mato-grossense poderá ser aproveitada pelo governo e, também, pelos pescadores artesanais e empresas privadas do Uruguai, todos com interesse na criação de pintado, curimbatá, piava e dourado, entre outras espécies. Daniel achou boa a infraestrutura e a experiência em inovação e desenvolvimento que viu no estado e pensa ser bastante viável a cooperação entre os países com informações, troca de manejos e trabalhos em conjunto.

A Coordinadora del Departamento de Acuicultura da Dinara, Mónica Spineti, que já conhecia um trabalho com cultivo de algas no nordeste realizado pelas mulheres dos pescadores artesanais, acha importante conhecer as saídas biológicas e climáticas que temos desenvolvido. Percebeu o quanto a experiência é boa e com bom nível de produtividade. Ela informou que no Uruguai já começaram com a engorda de tilápia em diferentes sistemas para observar as viabilidades regionais e propor as melhores ações para a produção nacional.

O pescador artesanal Fabricio Yacozina, representante de Grupecon (Grupo de Pescadores Artesanales de Villa Constitucion, departamento de Salto) disse que sua categoria não é muito organizada, mas que tem trabalhado para isto. Por lá, os pescadores sobrevivem com o que pescam; são, em sua maioria, individualistas tendo dificuldades em formar associações. O grupo de Fabricio tenta construir uma rede de pescadores para fortalecer a organização. Há no Uruguai 1500 embarcações e 3500 pescadores. Para o pescador um dos grandes objetivos de sua viagem ao Brasil é o conhecimento de nossa aquicultura para replicá-la principalmente nas grandes represas de irrigação existentes e com isto, manter os pescadores e seus descendentes na atividade pesqueira. Também manifestou interesse em conhecer melhor os outros projetos desenvolvidos pelo MPA, como caminhão frigorífico, kit pesca, telecentros, Cipar, cozinhas comunitárias, entre outros, como forma de alavancar os meios de vida de sua categoria.

O engenheiro agrônomo Joaquin Grasso, representa a Evamel S.A., uma empresa que opera com exportações de pescado de rios, seja inteiros ou eviscerados. Tem exportado para o Brasil e para a Colômbia. O interesse pela tecnologia da piscicultura brasileira é para levar o conhecimento e estabelecer projetos que possam fazer com que a Evamel produza peixes em cativeiros, como dourados, e passe a utilizar a capacidade máxima de seu frigorífico.

Entre a missão da Dinara estão o estudo e a promoção da aquicultura em todas as suas formas. O órgão tem viveiros, estações de piscicultura e outros centros de reprodução ou investigação para que possam fomentar toda a atividade aquícola uruguaia. Daniel Gilardoni considera que hoje este olhar para dentro do país, como também está ocorrendo no Brasil, tem melhorado muito o mercado local e garantido a permanência das famílias dos pescadores em suas atividades tradicionais.

O governo uruguaio já realiza ações em conjunto com os estados do sul do país visto que os recursos naturais são os mesmos. O destino final de quase tudo o que se pesca por lá é o Brasil já que o país ainda consome pouco pescado.

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