Diagnóstico divulgado pelo movimento "Todos pela Educação" revela quadro estarrecedor no Ceará. Apenas 8,1% dos alunos que concluem a 3ª série do Ensino Médio sabem adequadamente Matemática. No Ensino Fundamental o problema também é grave: só 11,1% dos que terminam o 9º ano têm conhecimento apropriado na disciplina.
O resultado não é muito diferente no restante do Brasil, onde quatro Estados, excluindo a região Norte, alcançaram bons desempenhos - Rio Grande do Norte; Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.
O restante acompanha a média nacional com 11% dos estudantes que terminam o terceiro ano do Ensino Médio estão tendo aprendizado apropriado em Matemática e apenas 14,8% dos que concluem (8º ou 9º ano) o Ensino Fundamental.
Relatório
Os dados fazem parte do relatório "De olho nas Metas", elaborado anualmente pelo "Todos Pela Educação", grupo da sociedade civil que tem como missão contribuir para a efetivação do direito de todas as crianças e jovens do Brasil à Educação Básica de qualidade até 2022, ano do bicentenário da independência do País.
A meta mais importe sugere que "até 2022, 70% ou mais dos alunos terão aprendido o que é adequado para a sua série". Se a evolução atual for mantida, o Brasil só vai atingi-la em 2050.
As outras metas a serem alcançadas são: toda criança de quatro a 17 anos na escola; toda criança alfabetizada plenamente até os oito anos; todo jovem com Ensino Médio concluído até os 19 anos e investimentos na educação ampliado e bem gerido.
O aprendizado em Língua Portuguesa é um pouco melhor, embora abaixo do ideal. Entre os alunos cearenses da 5ª e 4ª séries somente 27,5% obtêm nível adequado. No Brasil, os alunos que terminam o Ensino Médio (3º ano) com aprendizagem adequada são apenas 28,9%. Na conclusão do Ensino Fundamental o índice não passa de 26,3% e entre os alunos de 5ª/4ª séries chega a 34,2%.
Para o professor da Faculdade de Educação, Idevaldo Bodião, o resultado não traz nenhuma novidade e ocorre também em outras disciplinas como Ciências, História, Geografia. As soluções, afirma ele, também não são novas e já poderiam, se implementadas provocar mudanças para melhor nos próximos anos.
A primeira delas, aponta Bodião, diz respeito aos recursos. "Sem dinheiro suficiente não se faz quase nada". Para ele, o Brasil superou o desafio de possibilitar acesso à escola na educação básica, no entanto ainda existem barreiras no acesso às creches e educação infantil. A maior meta brasileira, no entanto, diz, é "efetivar o direito a aprender direito" e isso só se faz com mais dinheiro.
Hoje, analisa, se faz o que é possível com os recursos disponíveis vindos da proporção das matrículas. "O ideal seria fazer o que é necessário por meio do custo/aluno/qualidade, que tem parecer favorável no Conselho Nacional de Educação".
Outro ponto, indicado por ele, seria a implementação da Lei do Piso Salarial para professor de forma plena. "Com isso, o educador pode planejar aulas e se preparar melhor".
Outra questão diz respeito ao Plano Nacional de Educação, que se extinguirá esse ano e precisa de nova versão para os próximos dez anos. De acordo com Bodião, a Conferência Nacional de Educação, realizada entre março e abril passados, aprovou vários pontos, inclusive aumentar de 5% para 10% do PIB para a educação.
A educadora Nadja Furtado, da Comissão de Defesa do Direito à Educação no Ceará, afirma que apenas a expansão da matrícula não traz melhoria no ensino.
"Isso tem que vim acompanhado de medidas que passam, como o professor Bodião diz, por mais recursos".