Moradores do bairro Cachoeirinha estão vivendo em condições subumanas por conta do esgoto, que leva detritos para dentro e fora das residências. Uma questão de saúde pública. A dona-de-casa Solange Aparecida Freitas, de 31 anos, moradora na Rua Clóvis Bevilaqua, está desesperada. Ela é deficiente auditiva e com a ajuda da filha de 12 anos relatou o drama enfrentado pela família. No local moram dois irmãos dela e dois filhos, um de seis e outro de 12 anos.
A moradora diz que há 4 meses o esgoto toma conta de parte do seu quintal. Além disso todo o dejeto volta pelo vaso do banheiro em tempos de chuva. “Praticamente toda a casa fica alagada”, disse. Com os detritos, uma rede de parasitas e vermes é desencadeada. A água fétida mostra milhares de larvas que podem ser do mosquito da dengue. “As crianças são as que mais sofrem porque nem brincar no quintal podem. O mau cheiro é insuportável.
A filha disse que um dos tios já buscou ajuda na Sanesul, mas sem sucesso. A presidente do bairro, Silvia Helena da Conceição, disse à reportagem que a mãe da dona-de-casa chegou a por a mão no encanamento entupido e com água transbordante, na tentativa de concertar o vazamento. “Não teve jeito. Tudo o que os moradores podiam fazer foi feito por eles para tentar acabar com o esgoto a céu aberto. A Solange tira de balde a água empossada, mas é vencida pela quantidade exorbitante que volta pela tubulação”, disse. A presidente mostrou ainda que as bocas de lobo entupidas também são problemas. “Praticamente toda a rede está comprometida com a terra levada pelas enxurradas”, alerta.
Recentemente o carroceiro Valdenício Pereira de Moraes, disse ao O PROGRESSO que estava revoltado. O fundo da casa dele estava tomado por esgoto. “Basta chover e o acúmulo de resíduos toma conta do local. O mau cheiro e o acúmulo de insetos impede que que a família tenha uma rotina de vida normal. Toda a vez que isto acontece somos obrigados a pagar uma taxa de R$ 26 para a Sanesul dar manutenção no local. Queremos que o problema seja resolvido”, questiona.
SANESUL
O diretor regional da Sanesul em Dourados, Odilon Azambuja, explica que muitos são os problemas que causam o retorno do esgoto para as casas. Segundo ele, apesar das dificuldades da empresa em resolver o problema, nos próximos meses todo o bairro estará com a rede pronta. “O bairro conta com pedras que impedem a implantação da rede. O buraco muitas vezes só pode ser feito através de bombas, e com casas não resistentes, causariam prejuízos aos moradores. Muitos deles contruíram a casa em cima da caixa de visita, impedindo a manutenção”, destaca. Odilon disse que a empreiteira responsável pela obra entrou em recesso, mas está voltando nos próximos dias. A previsão é de que em poucos meses 100% do bairro esteja com a rede. Segundo Odilon, a instalação do esgoto não será cobrada.
SAÚDE
O médico generalista Luiz Alexandre Bela Farage, diz que o contato com esgoto causa doenças infecciosas e parasitárias. “A céu aberto o esgoto cria a possibilidade de proliferação de larvas de mosquito da dengue, febre amarela e malária. Ele atrai ratos que levam parasitas e, dependendo da gravidade da doença, o paciente pode chegar a morte”, alertou, observando que o risco é grande porque em alguns casos a pessoa não sabe que tem a doença e o diagnóstico tardio influencia na recuperação.