O Ministério das Relações Exteriores informou neste domingo (27) que 148 brasileiros desembarcaram hoje no porto do Pireu, próximo a Atenas (capital da Grécia), da cidade portuária de Benghazi (leste da Líbia). A chegada ocorreu às 7h20 (2h20 em Brasília).
Eles devem permanecer na Grécia até amanhã (28), às 8h (3h em Brasília), quando embarcam em um voo fretado para Recife (PE), com escala em Lisboa (capital de Portugal).
Além dos brasileiros, vieram na embarcação 48 cidadãos portugueses, 13 espanhóis e um tunisiano – todos trabalham para a construtora Queiroz Galvão. A embarcação que os levou à Grécia e o voo que trará os brasileiros de volta foram contratados pela empresa.
O governo líbio reteve todos os passaportes de estrangeiros que vivem no país, por isso os funcionários da empreiteira viajaram sem passaporte.
O Itamaraty já havia informado antes que, fora o grupo de Benghazi, não há mais brasileiros a serem retirados da Líbia. Alguns poucos preferiram ficar no país africano, por estarem em segurança e com suas famílias, de acordo com a Chancelaria brasileira.
Outros brasileiros que estavam em Trípoli - funcionários da empresa Odebrecht - foram resgatados de avião na quinta-feira e levados para a ilha de Malta, no Mediterrâneo.
Também foram retirados da capital brasileiros que trabalharam para a Petrobras e a construtora Andrade Gutierrez.
ONU
A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que mais de mil pessoas tenham morrido na revolta que ocorre no país contra a ditadura de Muammar Gaddafi, e que já dura dez dias. Ontem (26), o Conselho de Segurança da organização decidiu, por unanimidade (15 votos a 0), adotar uma rodada de sanções ao regime líbio. A decisão abre caminho para que Gaddafi seja julgado pela morte de civis desarmados que protestavam contra seu governo.
As sanções aprovadas incluem ainda um embargo à venda de armas, a proibição a viagens e o congelamento de contas em resposta à repressão governamental aos protestos no país.
Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama pediu ao ditador que deixe o poder imediatamente. Em comunicado, o Departamento de Estado disse que “quando um líder apenas se mantém no poder para usar violência em massa contra seu povo, ele perde a legitimidade”.
Governo interino
Em Benghazi, o reduto da oposição, o ex-ministro da Justiça do regime de Gaddafi, Mustafa Abud al Jeleil, deu início às negociações para a formação de um governo interino.
A oposição já controla partes da capital, Trípoli. Segundo informações de agências internacionais, forças leais ao regime abandonaram o distrito de Tajoura, onde chegaram a entrar em choque com manifestantes, num confronto que pode ter deixado cinco mortos.
O leste do país já saiu do controle de Gaddafi há quatro dias, como mostram cenas das “cidades libertadas”, como Benghazi. O oeste do país já tem pontos que estão sob controle dos opositores, como a cidade de Zawia, que fica a cerca de 50 km de Trípoli.
Gaddafi diz que fica até o fim
Na sexta-feira (25), Gaddafi fez uma breve aparição na praça Verde, em Trípoli, e pediu a seus seguidores que se preparem “para defender” o país e morrer lutando.
Gaddafi disse ainda que “todos os arsenais serão abertos para o povo”, para “vencer os inimigos”.
No mesmo dia, o vice-embaixador líbio na ONU, Ibrahim Debbashi, disse que “Gaddafi é um louco, instável psicologicamente”, que vai resistir “até o momento em que o matarem ou se suicidará".