Com apenas dois parágrafos- um que declarava extinta a escravidão e o outro que revogava as questões em contrário- no dia 13 de maio de 1888 a princesa Isabel assinou a famosa Lei Aúrea. Durante muito tempo a interpretação histórica ou popular para este dia era motivo de festa, mas hoje já não é bem assim. Sabe-se que o gesto da princesa aconteceu por conta de um contexto em que o modelo econômico brasileiro buscava industrialização e a consequente formação de outro sistema de mão-de-obra.
Isto já vinha acontecendo em outras partes do mundo, afinal globalização não é algo tão recente. A diferença é qur hoje o contato entre nações ficou na velocidade da luz. Com o seu gesto, Isabel acabou com uma instituição vergonhosa (a escravidão) que durou três séculos, mas apenas de forma legal, pois nenhum tipo de amparo foi dado a quem até então trabalhava sem receber nada e ainda sujeito a maus tratos.
Terminava uma etapa de sofrimento para a população negra e começava uma outra saga para garantir a sobrevivência em um país que passava a considerar seus integrantes libertos, mas sem tratamento de cidadãos, algo que tem seus efeitos nocivos até hoje. Daí que dia de celebrar cidadania negra passou, a partir do nascimento dos movimentos negros políticos organizados, a ser o 20 de novembro. O 13 de maio virou mais uma data para reflexão.
Tem um texto da repórter Meire Oliveira, publicado na edição de hoje do jornal A TARDE e no portal A TARDE On Line (aqui está o link), que traz uma análise sobre a data pela doutora em História Wlamyra Albuquerque que ontem lançou um livro sobre o assunto. E para quem está interessado em debates de questões relacionadas à data tem dois eventos hoje na cidade.O primeiro começa às 16 horas, no Centro Cultural da Câmara. Promovido pelo grupo Atitude Quilombola vai contar com a paticipação da economista Nádia Vieira de Souza. Ela vai apresentar um estudo realizado pelo Dieese que mostra como está a participação negra no mercado de trabalho em Salvador.
Às 18h30, a Amafro promove em sua sede, na Praça da Sé (Edifício Themis) a mesa redonda A Abolição da Escravidão e Seus Significados na Vida Brasileira. O encontro faz parte do Programa Diálogos Afro-Brasileiros da insituição e comemora seus sete anos de criação. Os convidados são o professor e advogado, Samuel Vida, a doutora em História Wlamyra Albuquerque, o professor-doutor Eduardo Mattedi e o doutor em Economia Sílvio Huberto, presidente da Steve Biko. Os participantes vão receber certificado.