O FMI (Fundo Monetário Internacional) revisou para baixo a projeção de crescimento da economia brasileira para este ano.
A previsão do fundo em abril era de 4,5% de crescimento do PIB (produto Interno Bruto) e foi revisada para 4,1%.
No ano passado, o PIB do Brasil cresceu 7,5%.
Para o ano que vem, a projeção do Fundo caiu em 0,5 ponto, para 3,6% de crescimento econômico.
Depois do Japão, que deve sofrer um forte revés econômico em consequência do terromoto e tsunami de março, o Brasil foi o país com maior redução na projeção de crescimento do PIB.
Rupa Duttagupta, do FMI, afirmou que a previsão para o Brasil foi revisada para baixo por causa do aumento dos juros e outras políticas adotadas para conter a inflação. Para ela, a atividade econômica brasileira já está perdendo força com o aperto monetário.
A política de juros brasileiros deve trazer a inflação para o centro da meta em 2012, segundo o FMI. A previsão do Fundo é de aumento dos preços de 6,5% este ano e 4,5% no ano que vem.
ECONOMIA MUNDIAL
Apesar de estimar uma desaceleração econômica brasileira, o Fundo alerta para sinais de superaquecimento econômico nos países emergentes.
A previsão de crescimento da economia mundial foi reduzida em apenas 0,1 ponto para 4,3%, apesar de o Fundo reconhecer que ainda existem "desequilíbrios" no cenário internacional.
"As projeções apontam para uma desaceleração da atividade global no segundo trimestre de 2011 e retomada no segundo trimestre do ano. Mas a atividade continua desequilibrada em razão da intensificação dos riscos", diz o relatório de projeções da economia global, cuja revisão foi divulgada em São Paulo nesta sexta-feira.
Para os países desenvolvidos, a previsão é de crescimento de 2,2% este ano e 2,6% no ano que vem. Para os emergentes, a expectativa do Fundo é de 6,6% este ano e 6,4% no ano que vem.
Diante do que o FMI chama de sinais de superaquecimento de emergentes e alta da inflação, o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, pediu que todos os instrumentos disponíveis sejam usados para evitar desequilíbrios.
"[Os emergentes] devem usar as política fiscal, monetária e macroprudencial. Não é a hora de relaxar", afirmou Blanchard.
POLÍTICA FISCAL
O diretor de assuntos fiscais do FMI, Carlo Cottarelli, alertou que o deficit fiscal e a relação entre a dívida e o PIB continuam elevados na América Latina para os padrões emergentes.
Cottarelli elogiou a ação do Brasil de aumentar os gastos durante a crise e de retomar os cortes das despesas quando a economia voltou a crescer.
Segundo o diretor, a política fiscal mais apertada ajuda no controle da inflação e, por isso, deve continuar a ser perseguida.
O Fundo defende, ainda, a redução dos empréstimos ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que ele admite já está sendo feito.
"O Brasil expandiu os gastos de forma correta durante a crise internacional. Esse ano, como a economia está forte, não precisa mais dessa ajuda fiscal. O aperto também é apropriado porque ajuda a conter a inflação", disse Cottarelli à Folha.
O Fundo estima o deficit do setor público brasileiro em 2,8% do PIB este ano. Pelo método de cálculo do FMI, as contas públicas brasileiras ficaram negativas em 2,9% do PIB em 2010.