A Justiça proibiu a realização de "paquera", uma festa de rua que acontecia todo domingo em Itaporã (MS), cidade de 19 mil habitantes a 277 km de Campo Grande.
O juiz Adriano da Rosa Bastos, que tomou a decisão, alegou ser dever do Judiciário manter a ordem pública. Jovens locais reclamam da falta de opções de diversão.
O assassinato de um rapaz de 23 anos no fim de semana passado no local serviu como justificativa para o juiz proibir a "paquera". "Foi a segunda morte nesse evento", disse.
"A bagunça é tanta que ocorre venda e uso de drogas, uso de álcool por menores, sexo explícito nos bancos da praça e apreensões constantes de armas de fogo", afirmou o juiz.
"O barulho alcança toda a cidade e atrapalha até a realização da missa das oito [da noite], já que a igreja fica em frente ao calçadão."
Reunindo cerca de 500 pessoas a cada domingo, a festa acontecia em um calçadão no centro da cidade e gerava reclamações de vizinhos e trabalho para a PM, que conta com três homens por plantão.
Os participantes protestam. "Nem todo mundo vai para beber. Eu mesmo vou só para paquerar, como diz o nome da festa", conta o lavrador Anderson Araújo, 20. "Agora, acabando, vai me sobrar só o bar, porque não tem mais nada na cidade. Não tem uma boate."