A Comissão Nacional da Verdade informou nesta terça-feira (1º), dia em que o golpe militar completa 50 anos, que as Forças Armadas vão abrir comissões de sindicância para investigar o uso de instalações militares para a prática de torturas durante a ditadura militar. O pedido foi feito pela CNV em 18 de fevereiro, com base em investigações que confirmariam que houve desvio de finalidades destas unidades do Exército.
Segundo a CNV, o Ministério da Defesa encaminhou o requerimento às três Forças no dia 19 de fevereiro. O Exército informou, em 25 de março, ter aberto a sindicância e, na véspera, já havia informado que buscaria as informações disponíveis sobre o tema nos ?órgãos de direção setorial? e nos comandos militares de área.
As investigações ocorreram em três unidades do Rio de Janeiro, uma em São Paulo, uma em Recife e outra em Belo Horizonte. Para o coordenador da CNV, Pedro Dallari, a resposta ?é um gesto muito importante das Forças Armadas, que pode representar um grande avanço para a apuração das graves violações de direitos humanos ocorridas durante o regime militar?.
Unidades que teriam sido usadas para prática de torturas, segundo a CNV
No Rio de Janeiro:
- Destacamento de Operações de Informações do I Exército (DOI/I Ex);
- 1ª Companhia de Polícia do Exército da Vila Militar;
- Base Naval da Ilha das Flores;
- Base Aérea do Galeão;
Em São Paulo:
- Destacamento de Operações de Informações do II Exército (DOI/II Ex);
No Recife:
- Destacamento de Operações de Informações do IV Exército (DOI/IV Ex);
Em Belo Horizonte:
- Quartel do 12º Regimento de Infantaria do Exército.