X

Era uma vez dois amigos que tinham uma banda de rock, nomes parecidos e uma irmã. Alessandro, Elesandro e Margiane nunca pretenderam compor nada além de música. Mas, aos poucos construíram uma dessas histórias que daria enredo de um bom filme. Margiane, a irmã de Elesandro, conheceu Alessandro no ano de 1997, em Aquidauana. Amor à primeira vista, casaram-se no mesmo ano.  Com Neto, Cauê e Julie formariam uma família tranquila e feliz. Até que em novembro de 2014 a medicina descobriu que Alessandro havia adquirido as doenças auto imunes vasculites granulomatose de weguener, chung straus, síndrome de slogren e artire rematoide, nomes tão difíceis quanto as notícias que Margie, como é chamada pelos amigos, receberia dali pra frente. A mais triste delas veio em setembro de 2016. Depois de uma avaliação médica, ela indagou qual seria o próximo passo.  E o médico respondeu: óbito” “Perdi o chão”, lembra.

Diante da repercussão do drama de Alessandro, registrado em dois textos de O Pantaneiro, procuramos conversar com Margiane, natural de Dourados, residente em Campo Grande e aquidauanense de coração. Sabíamos, de antemão, que não seria fácil buscar respostas, até porque nem a própria Margie as tem. Nossa lembrança do “Alê” era de um jovem publicitário, alegre, criativo, de bem com a vida, cristão apaixonado e divertido. Vê-lo, hoje, marcado por extremos limites, a começar pela fala, que sempre deu visibilidade ao seu trabalho, nos dias de pleno vigor, toca o coração mesmo das pessoas mais fortes e resistentes.

O PANTANEIRO – Como foi receber o diagnóstico de que o Alessandro estava com um quadro clínico irreversível?

MARGI – Sinceramente? Não sei bem o que dizer... Tudo foi muito rápido. De repente, meu marido, parceiro, amor de minha vida, aquele que sempre cuidou de mim e de toda família, virou uma criança, que precisa ser cuidada 24 horas por dia. No começo tentei esconder um pouco a real situação das crianças, pois é muito difícil para mim, imagina para eles?

O PANTANEIRO – Como era, em tempos de vigor físico, o Alessandro Pai?

MARGI – Ele gostava de buscar os filhos na Escola, na Igreja, gostava de passear com eles e tomar tereré, quando geralmente aproveitava para longos papos, coisa que só ele sabia fazer com os filhos. Era a maneira dele ver como eles estavam.

O PANTANEIRO – Dói, muito, lembrar de tudo isto...

MARGI – Sim. Muitas vezes pergunto: E agora?

O PANTANEIRO – Como esses filhos tão amados por ele receberam a notícia do complexo quadro clínico?

MARGI – O dia que tive que contar para eles que a situação era muito grave e irreversível foi o pior dia da minha vida. Olhar nos olhos de meus filhos e não poder tirar aquela dor e sofrimento foi horrível, me senti impotente, fraca, a pior das mães. Muito triste, também, ver a dor de minha sogra, uma mãe para mim...

O PANTANEIRO – Vocês são pessoas de fé. São evangélicos. Como conciliar a ideia do amor de Deus com um sofrimento tão grande?

MARGI – Tenho tentado acreditar, todos os dias, que nada acontece sem a permissão de Deus, que tudo é para honra e glória d’Ele. Assim tenho um pouco de conforto. Me conforta muito lembrar, também, da última oração que o Alessandro fez, quando tinha, ainda, 100% de consciência: “Senhor, se essa doença é para fazer com que a Sua Palavra chegue aos corações mais duros, me dê forças para passar por tudo isso!”. Depois disto parei pra pensar, que há um propósito em tudo, mesmo que seja extremamente difícil ver, dia após dia, a vida fugir dos olhos de quem tanto amo. Confesso que é difícil.

O PANTANEIRO – Já bateu desespero?

MARGI – Não poucas vezes saí de casa para chorar.  Procuro evitar de fazê-lo na frente dos filhos. Por isto, as vezes, ando horas, sem rumo, só para chorar, não por não confiar em Deus, mas por ver a pessoa que mais amo nesta situação, vendo meus filhos ter que fazer terapia para poder aguentar, passarem por tudo isto, ver o esforço deles para tentar levar uma vida normal.

O PANTANEIRO – A propósito, e eles, hoje?

MARGI – Sei que eles muitas vezes saem de casa para fingir que tudo vai bem. Lembro que um dia fui levar minha filha para tomar um Sorvete, num Shopping, aqui perto. Quando ela viu eu olhando a hora para voltar pra casa ela disse: “Mãe? Vamos ficar só mais um pouco, fingindo que está tudo bem...”.

O PANTANEIRO – Nem sabemos o que dizer, diante desta realidade, já que conhecemos o Alessandro vivendo de forma tão intensa, como lhe era comum. Então, deixamos pra você o fechamento desta conversa.

MARGI – Pois é, também me lembro desses bons momentos, especialmente em Aquidauana. Hoje, tudo mudou. Nossa situação financeira, emocional, relacional...Mas, creio que um dia saberemos os motivos de Deus, apesar de que algumas coisas já aconteceram, neste período. Nossos filhos se batizaram. Meu irmão também.  Então eu sei, e creio, que há um propósito maior para esta história.

 

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Odilon Ribeiro reúne jovens e lideranças em agenda em Aquidauana

Eleições 2026

Odilon Ribeiro reúne jovens e lideranças em agenda em Aquidauana

Candidato a deputado estadual pelo PL participou de encontros nesta quarta-feira; ele apresentou propostas voltadas à geração de emprego e renda, investimentos e ampliação das oportunidades para a população da região

Viviane Luiza defende saúde, educação e infraestrutura na fronteira

Eleições 2026

Viviane Luiza defende saúde, educação e infraestrutura na fronteira

Candidata a deputada federal pelo PSDB destacou demandas de Bela Vista; saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento estão entre as prioridades

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo