O Caso Laura
Familia da menina desaparecida repudia julgamentos
“Vamos parar com isto!”. O apelo, num pós texto de O Pantaneiro, sobre linhas de investigação da Polícia no caso envolvendo o acidente da garota Laura de Freitas, que ao cair de um barco, no último dia 17 de março, desapareceu nas águas do Rio Aquidauana, faz parte de um intenso debate travado nos últimos dias, nas redes sociais, sobre responsabilidades.
“Mais amor, por favor”, recomendou Paula Carvalho, diante de posicionamentos como de uma leitora defendendo que a Polícia já deveria estar investigando desde o primeiro dia ou de um leitor ávido por informações, autor de um registro segundo o qual “essa história está mal contada”.
Não bastasse a dor de uma perda tão cara, os familiares, que preferem não se manifestar publicamente, sofreram muitos nos últimos dias com a dimensão que as conversas tomaram. Apenas Gabriela Freitas, tia de Laura, a qual chama de “princesa”, destacou: “Quanta maldade! Acusam sem conhecer a história por detrás de tudo”.
“O alvo de parte dos comentários, neste debate infeliz, é o padrasto de Laura, que dirigia a embarcação na hora do acidente”, observa J. Adauto, atento ao que rola nas redes sociais. Ele diz concordar com Edgar Marçal Déga, para o qual a única história que vê é a história de um acidente. “Foi uma fatalidade”.
Como no drama bíblico de Jó, muitos assumem a postura de Elifaz, Bildade e Zofar, os amigos que entendiam que o próprio Jó era culpado pela tragédia que se abateu sobre o seu lar. “Esses se esquecem, contudo, que enquanto ficaram calados, por sete dias e sete noite, esses mesmos amigos fizeram a única coisa certa”, destaca o teólogo Fernando Sabra, de Campo Grande.
“Esta família já está condenada a dor, angústia, por conta desta fatalidade e ainda tem que conviver com tantas calúnias”, observa Alzira Peres Gomes, recomendando, nas entrelinhas, que o momento é de calar-se ou de solidarizar-se. Fazem coro, Gleice Guerra e Marielle Mell Marcio Weber. “Guardem pra vocês”, diz a primeira. “Quem não tem uma palavra de alento, deve calar-se”, completa a segunda.
E se é possível uma mediação coerente, talvez seja oportuno lembrar que a Polícia deve trabalhar com todas as hipóteses ao investigar uma tragédia, como registrou Junior Arévalo. Mas, apenas a Polícia. “Enquanto não se chega a uma conclusão, ninguém deveria dizer nada”, comenta uma autoridade policial, em off. Fazer? Sim. “Calar-se, o que implica em não julgar, e, acima de tudo, solidarizar-se são as melhores alternativas”, opina Fernando Sabra.
Como todos os envolvidos neste drama são religiosos e acreditam em Deus, Fernando resgata do drama mencionado de Jó a figura de um quarto amigo do Patriarca, Eliú. Dele foram as sábias palavras, num contexto impregnado de julgamentos: “Ao Todo Poderoso não podemos explicar”. Ou seja, tem coisas que só Deus sabe por quê acontecem. Esta pode ser uma delas!
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