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Censura

Jornalistas de MS ainda sofrem com processos judiciais e ameaças de morte

Celebrado hoje (3) Dia Mundial da Liberdade de Imprensa reafirma a defesa do livre jornalismo. Profissionais de MS analisam conjuntura atual

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Nos bastidores do acesso às informações exclusivas e em busca da notícia em primeira mão, jornalistas de Mato Grosso do Sul enfrentam, por vezes, uma dura realidade que é relatar os fatos como eles são. Por si só, o exercício da profissão é um risco. A divulgação do resultado de investigações criminosas, receptações, lavagens de dinheiro, esquemas de caixa dois, desmantelamento de quadrilhas, tráfico de drogas, entre outras situações do cotidiano, são alguns dos exemplos mais comuns da origem das ameaças sofridas pelos profissionais, diariamente. Dessa forma, nesta quinta-feira (3) é celebrado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa contra censura a jornalistas e veículos de comunicação. A data foi criada pela UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, em 1993.

Para o jornalista e professor universitário, Carlos Kuntzel, diretor de Comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), o jornalismo em Mato Grosso do Sul é diferenciado das metrópoles brasileiras, já que, em face à grande quantidade de veículos (só na Capital existem mais de 50 empresas do setor) os profissionais acabam sendo cobrados via processos judiciais, normalmente com pedidos de indenização por danos morais, calúnia e difamação.

“Não se pede mais o direito de resposta aos veículos. A própria sociedade acaba por reafirmar esse modelo. Os jornais mais audaciosos colecionam processos judiciais justamente por conta dessa cultura, numa tentativa de censura velada. Os processos permitem que isso aconteça porque a Lei no país concede esse direito. A retratação, a meu ver, era algo positivo, mas hoje, por questões políticas, a luta da imprensa em torno da liberdade de expressão tem levado o país a uma nova fase”, explicou Kuntzel.

Ao consultar o Portal de Serviços do Poder Judiciário (E-Saj) é possível constatar essa realidade a exemplo de Antônio João Hugo Rodrigues, dono do jornal Correio do Estado, em que pesa contra si 40 processos judiciais, a maioria por calúnia e difamação. Em entrevista à rádio CBN no dia 18 de abril, o jornalista disse que durante a “Revolução de 64” teve que prestar 49 depoimentos à na Polícia Federal. Para ele, nem naquela época a censura era tão forte. “Nunca me senti tão pressionado como me sinto hoje”, declarou à emissora de rádio.

Tensão na fronteira

Gerson Jara, jornalista e mestrando em Comunicação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) atualmente pesquisa a execução de jornalista na fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero. Em artigo científico, Jara afirma que a violência rotineira na faixa de fronteira recebe, na maioria das vezes, o tratamento de banalidade ou quando muito é explorada de forma sensacionalista.

O pesquisador ainda cita o exemplo de execuções de jornalistas por narcotraficantes que ocorrem há 26 anos, com a execução do jornalista Santiago Leguizamón, no dia 27 de abril de 1991, até momento impune. Mesmo ameaçado, alertado sobre a possibilidade de ser assassinado por denunciar narcotraficantes que atuavam na região, ficou conhecido pela célebre frase: “prefiro a morte física, à morte ética”.

Perseguição a jornalistas

Segundo o jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul, o livre exercício do jornalismo não é garantido em pelo menos 39 países, nos quais repórteres, cinegrafistas e fotógrafos estão presos devido ao exercício da profissão. Campeões em amordaçar jornalistas, Turquia e China somam 114 profissionais atrás das grades. No total, 262 repórteres, cinegrafistas e fotógrafos estão atrás das grades pelo exercício da profissão.

A ONG Repórteres Sem Fronteiras realiza, todos os anos, um barômetro da liberdade de imprensa. De acordo com a organização, 29 jornalistas foram assassinados desde o início de 2018, comprovadamente mortos devido a sua atividade jornalística.

No mês passado, a Agência Brasil publicou reportagem sobre a situação do Brasil. Em uma lista de 180 países, o Brasil passou da posição 103 para 102 este ano, porém, classificado pela ONG como “um ambiente de trabalho cada vez mais instável”. “A ausência de um mecanismo nacional de proteção para os repórteres em perigo e o clima de impunidade - alimentado por uma corrupção onipresente - tornam a tarefa dos jornalistas ainda mais difícil.

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