X

Consumo

Indústria e comerciantes reagem a proposta de abolir canudinhos em MS

Projeto de lei foi aprovado em primeira votação e segue agora para análise de comissões de mérito da Assembleia Legislativa

Compartilhe:

A-

A+

Tem dividido opiniões de muitos empresários a proibição do fornecimento de canudinhos plásticos em estabelecimentos de Mato Grosso do Sul. A proposta foi aprovada na quarta-feira (08), em primeira votação, na Assembleia Legislativa, e já vem gerando polêmica entre os que alegam depender do produto para manutenção do negócio e os favoráveis à medida, como forma de preservar o meio ambiente.

Não tem como negar que o intuito do projeto de lei, apresentado na Casa de Leis em junho, é muito positivo, mas a indústria e boa parte do setor alimentício estão bastante preocupados com a possibilidade da proibição do canudinhos em restaurantes, lanchonetes, bares e hotéis.

Por que só canudo? E os outros produtos feitos de plástico?”. Esse é questionamento corriqueiro entre empresários que fabricam ou dependem desse pedacinho de polipropileno.

“Preocupa porque fizemos investimento pesado em maquinário e capacitação de pessoal voltada à fabricação de canudos. Resolvemos apostar na fabricação de canudos há pouco mais de 1 ano, jpois já tínhamos a estrutura montada e não existiam indústrias no estado. O material vinha de fora, principalmente Mato Grosso, São Paulo e Paraná”, explica Virgílio Dorneles, 71 anos, que há 40 é proprietário de uma convertedora de papel, com sede em Campo Grande.

A empresa é a única do Estado a fabricar canudinhos de plástico. No local, o investimento em maquinários foi de R$ 400 mil, e o planejamento era ampliar o negócio, adquirir outros equipamentos para diversificar os tipos de canudos.

“Essa polêmica gera um cenário de insegurança. Estávamos já conquistando uma boa clientela, que passou a ver vantagens adquirindo produto sul-matogrossense, diz o empresário Leonardo Dorneles, 45, filho de Virgílio. Ele se refere ao barateamento de custo com frete, e outros benefícios de logísitica, crédito de ICMS e quantidade de carga.

O jovem Daniel Moraes Xavier, funcionário da empresa, está angustiado com as incertezas. “Fico tenso porque a fabricação de canudos é hoje minha ocupação na indústria. Ou serei dispensado ou remanejado”, disse.

Nos restaurantes - Segundo o presidente da Abrasel/MS(Associação de Bares e Restaurantes), Juliano Wertheimer, a medida esta tirando sono de muitos empresários.

“Somos a favor da proteção ao meio ambiente, mas não é justo penalizar somente um setor por causa de um mau hábito. Não será proibido fabricar ou revender, somente fornecer aos clientes nos bares e restaurantes”, pontua.

Ele acredita que o empenho envolvendo a questão deveria ser muito mais instrutivo, estimulando as pessoas a recusarem canudinhos, por exemplo.

Defendemos a redução dos descartáveis, a reutilização, mas é importante trabalhar no consumidor da ponta. Ele pode não conseguir no restaurante, mas nada o impedirá de comprar canudinho no mercado ou de usar 3 sachês de mostarda, que também são feitos de plástico”, compara.

Estamos buscando apoiadores do setor para ampliar o debate em relação ao projeto de lei. Atualmente, o estado possui 3.170 bares e restaurantes, abrangendo cerca de 30 mil trabalhadores.

Criatividade - Tem, sim, empresário que optou em encarar o desafio de abolir canudinhos. Foi o que aconteceu em uma milkshakeria do Bairro Parati. “Abraçamos a ideia e o perfil de nossos nos ajuda muito nisso. Investimos em copos retornáveis, ecologicamente corretos e criamos promoções para quem usá-los como refil”, conta a proprietária Jéssica Benitez.

Os produtos foram encomendados de Santa Catarina, onde era mais vantajoso, considerando o custo/benefício. “Não iremos retirar os canudos de repente, mudança de cultura é lenta. Também não podemos obrigar os clientes a comprarem os copos, mas é um incentivo", diz. Lá, cada recipiente sai por R$, 7,50, e tem desconto se a pessoa levar o produto para “recarregar” com milkshake numa próxima compra.

"Não é fácil. Dificuldade maior é o custo e encontrar fornecedor, mas é uma tendência. Tem uma adolescente de 13 anos que se recusa a tomar no canudo. É a nova geração preocupada com o futuro. Isso nos inspira”, descreve.

Projeto de lei - O texto, de autoria do deputado Pedro Kemp (PT), foi apresentado em junho, prevendo a proibição, em âmbito estadual, do fornecimento de canudos de material plástico aos clientes de hotéis, restaurantes, bares, padarias, conveniências, clubes noturnos, salões de dança e eventos musicais de qualquer espécie, entre outros estabelecimentos.

Pela proposta, os canudinho plásticos poderão ser substituídos por canudos de papel reciclável, material comestível, ou biodegradável. A proposta agora segue para as comissões de mérito, para depois ser votada novamente na Assembleia. Se receber o aval, segue para sanção do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que pode tornar a matéria lei estadual ou vetá-la, em função de análise jurídica.

Considerado “vilão” da natureza, não é de hoje que o canudo plástico vem sendo alvo de ações ambientais mundo afora, para abolir seu uso. A guerra tem como principal mote o descarte quase que instantâneo do produtos: média de 4 minutos após o uso, sendo que o produto le leva quase 200 anos para decompor.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Aquidauana tem 36,4 mil eleitores aptos para segundo turno

ELEIÇÕES 2026

Aquidauana tem 36,4 mil eleitores aptos para segundo turno

Mais de 10 mil pessoas não compareceram no primeiro turno; votação de domingo será apenas para presidente em MS

Mega-Sena acumula e vai a R$ 200 milhões; aposta de Anastácio faz quadra

Loterias

Mega-Sena acumula e vai a R$ 200 milhões; aposta de Anastácio faz quadra

Duas apostas de Mato Grosso do Sul acertaram a quina; próximo sorteio será nesta quinta-feira

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo