Fronteira
No sangrento cenário de disputa entre facções criminosas na fronteira com o Paraguai, Mato Grosso do Sul registra aumento do tráfico de cocaína, droga de alto valor no mercado do crime. As agruras da região fronteiriça, que tenta superar o estigma de ser terra sem lei, são debatidas nesta quinta-feira (dia 22) em Campo Grande, durante o II Fórum Permanente de Segurança na Fronteira.
“Há disputa entre as facções criminosas, principalmente pelo tráfico de cocaína. Há muito a fronteira com o Paraguai deixou de ser apenas uma rota da marijuana (maconha) e hoje, principalmente, tem disputa pelo tráfico de cocaína. É uma grande porta de entrada”, afirma o titular da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), Antônio Carlos Videira.
A redução nos flagrantes do tráfico de maconha e a explosão das apreensões de cocaína aparecem nas estatísticas da PF (Polícia Federal). Até 31 de julho de 2019, a maconha recolhida totalizou 37,9 toneladas. No ano passado, no mesmo período, foram 50,2 toneladas. Já a curva da cocaína é ascendente: cinco toneladas até julho deste ano, contra 2,7 toneladas em igual período de 2018.
O superintendente da PF (Polícia Federal), Cleo Mazzotti, elenca fatores que resultaram na migração para o tráfico de cocaína, como a parceria com o Paraguai na destruição de plantação de maconha.
“Isso tem dificultado a entrada de maconha no território nacional e impacta diretamente no volume de apreensões. Também a Polícia Federal, juntamente com outras forças, conseguiu desarticular organizações criminosas de alto poder aquisitivo, o que permitiu quebrar um pouco a logística para transportar volumes muito grandes”, afirma Mazzotti.
Segundo ele, agora é priorizado o transporte de ilícitos de menor volume como a cocaína. No combate a essa modalidade de tráfico, o superintendente da PF afirma que é preciso parceria com países produtores de cocaína: Bolívia, Peru, Venezuela e Colômbia. Como crimes correlatos, o tráfico de drogas traz execuções e sequestros.
No debate realizado em Campo Grande, as tentativas de soluções incluem instalação de um Centro de Inteligência, integração entre as forças de segurança, ataque às finanças das organizações criminosas e, nas palavras do general Carlos Alberto dos Santos Cruz, mais energia para se chegar ao “fim do filme”.
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