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Fauna Pantaneira

Incêndios ainda ameaçam Pantanal, mas aos poucos animais já começam a ser vistos em meio à destruição

Na fazenda Caiman, onde são desenvolvidas pesquisas sobre onças e araras, suspeita é que incêndio tenha vindo do outro lado do rio Aquidauana, por isso, PMA tenta descobrir a origem.

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Os incêndios em vegetação continuam a ameaçar a fauna e a flora do Pantanal em Mato Grosso do Sul, mas aos poucos, alguns animais, como araras e veados já começam a ser vistos em algumas áreas em meio a destruição e ao 'mar de cinzas'. Na região do Pantanal, um dos focos que mais preocupa está dentro da reserva da fazenda Caiman, em Miranda.

A queimada na propriedade começou no quarta-feira passada (11). O combate as chamas mobiliza bombeiros, policiais ambientais, equipe de brigadistas da fazenda e do Ibama e militares do Exército. 

Em alguns momentos o incêndio chegou a ser controlado, mas nesta segunda-feira (16) o fogo voltou a se alastrar.

No caso da Caiman, a suspeita da Polícia Militar Ambiental é que o fogo veio do outro lado do rio Aquidauana, na região norte da propriedade. Por conta disso, os policiais devem fazer um levantamento da situação de todas as outras fazendas dessa região e fazer uma vistoria para tentar descobrir a origem da queimada.

Pesquisadores da Embrapa e de diferentes institutos já estão fazendo um levantamento para saber quantos animais morreram no incêndio.

Com uma contagem eles conseguem fazer uma estimativa estatística de quantos animais morreram por grupo entre os que são visíveis em uma situação como essa. Alguns animais menores, acabam não sendo visíveis em meio a destruição, o impede qualquer tipo de estimativa.

Azul das araras se destaca em meio a paisagem seca e queimada em área da fazenda Caiman — Foto: Instituto Arara Azul/Divulgação

Pelos dados climáticos já apurados, a meteorologia indica que em 2019 pode ter chovido 25% abaixo da média histórica, enquanto que a temperatura está entre 5ºC e 6ºC acima da média, o que contribuiu para a propagação do fogo e dificultou o combate aos focos.

Em razão do incêndio que atinge a região já foram encontradas pequenas carcaças de jacarés e cobras, mas os grandes animais, como as onças parecem ter escapado.

Na fazenda Caiman, apesar dos focos continuarem a provocar destruição, alguns animais já são avistados, como um casal de veados e algumas aves também. Na reprodução das araras azuis já foi descoberto que dois filhotes morreram e dois ovos foram predados. Entretanto, 28 ninhos estão sendo monitorados.

Por isso, os pesquisadores começaram a fazer um levantamento para saber como o Pantanal conseguirá se recuperar depois de um incêndio dessas proporções. O cenário na região e de destruição.

Resgate de arara azul na fazenda Caiman, em Miranda — Foto: Instituto Arara Azul/Divulgação

Queimada

O incêndio na fazenda que trabalha com pecuária, ecoturismo e pesquisas, começou dia 11. Bombeiros, policiais ambientais, equipe de brigadistas da fazenda e do Ibama e militares do Exército trabalham no combate ao fogo e aos focos. No fim de semana, chegaram mais 50 brigadistas de uma empresa de Três Lagoas.

O município onde fica a fazenda está entre os 9 de Mato Grosso do Sul em situação de emergência por causa da quantidade de queimadas. O decreto que coloca as áreas rurais de Miranda, Aquidauana, Anastácio, Dois Irmãos do Buriti, Corumbá, Ladário, Bonito, Porto Murtinho e Bodoquena com necessidade de ações de controle urgentes, foi publicado dia no Diário Oficial do Estado.

Situação das onças

Mario Haberfeld, fundador do projeto Onçafari, que funciona na fazenda, diz que em oito anos de trabalho já foram monitoradas 140 onças pintadas diferentes na região. Ele explica que por conta das pesquisas sobre os felinos, duas são monitoradas por colares que mandam dados por satélite e que essas informações apontam que os animais estão bem, apesar do incêndio.

“A Fera foi reintroduzida na natureza há três anos. Ela está bem. Está no território dela. Tem dois filhotes, mas grandes já, com um ano e meio. A outra é a Natureza. Ela nasceu no início do projeto e também está na área que costuma ocupar”, comentou, completando que outras duas onças também já foram avistadas na área da fazenda. “A Gaia foi vista há dois dias e a Nusa, que é outra onça muito conhecida foi vista perto dos alojamentos. Bem de saúde. Nós vamos ter mais notícias nos próximos dias”.

Investigação sobre as queimadas

Até outubro está proibida qualquer queimada em Mato Grosso do Sul. E a maioria dos incêndios em vegetação que estão ocorrendo no estado, segundo os especialistas, foram provocados. Por conta dessa situação, a PMA está usando drones para avaliar as áreas e buscar os indícios. A perícia, no entanto, deve demorar.

Em Mato Grosso do Sul 35 cidades estão em alerta com umidade abaixo dos 12%. 

Na serra da Bodoquena, no sudoeste do estado, 13 brigadistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estão combatendo o fogo para tentar evitar que as chamas entrem no parque nacional. O período mais crítico é exatamente a partir de agora, quando esquenta e venta e as faiscas se alastram.

 

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