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Governo Federal alerta para pior seca de 111 anos em MS e mais 4 estados

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As cenas de um Pantanal em chamas, o fogo consumindo a vida e cinzas espalhadas pelo Estado devem voltar a acontecer em Mato Grosso do Sul. Depois do Governo Estadual e do Ministério do Meio Ambiente decretarem estado de emergência ambiental, o alerta vem do Governo Federal: esta será a pior seca dos últimos 111 anos.
 
Outro reflexo será risco de desabastecimento d'água, com queda dos níveis dos reservatórios. No ano passado, Campo Grande já sofreu com a falta d'água e a necessidade de recorrer aos caminhões pipa.
 
O alerta se estende também aos estados de Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Paraná, todos que estão na bacia do Rio Paraná. A região tem classificação "severa" e previsão de pouquíssimo volume de chuva.
 
Em 111 anos, este é o primeiro alerta dessa natureza e, segundo publicado pelo Estadão, reforça que a emergência hídrica está relacionada à escassez de precipitação na região hidrográfica. A previsão é de que o cenário persista até setembro. 
 
Se de um lado Mato Grosso do Sul entra neste alerta pela região leste, o Estado já está sob decreto de emergência ambiental por conta dos incêndios que atingiram o Pantanal em 2020. Os focos no período de grande estiagem, que se agravaram pelas ações humanas, fizeram com que o bioma perdesse 30% de seu território, o equivalente a mais de 4 milhões de hectares, segundo o Lasa (Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais) da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
 
Medidas - Publicado em março deste ano, o decreto de emergência do Ministério do Meio Ambiente vai de maio a setembro e, na prática, facilita a tomada de ações como acesso a recursos da União. Em abril, o Estado também decretou emergência por conta do baixo volume de chuvas, por ver indicativos de que 2021 seguiria o mesmo caminho do ano passado, quando Mato Grosso do Sul registrou seca recorde.
 
Também foi autorizada, pelo Governo Federal, a contratação de 1,6 mil brigadistas que irão combater os incêndios florestais, este ano, no Brasil. Deste total, 95 serão destinados a Mato Grosso do Sul, sediados na região do Pantanal e, especificamente, em aldeias indígenas no Estado. 
 
Pior que 2020? - Até o alerta de agora,  os sul-mato-grossenses enfrentaram a pior estiagem dos últimos 50 anos, e não apenas as áreas onde o fogo queimou foram atingidas, na Capital, por exemplo, foi possível ver o céu coberto da fumaça do incêndio que vinha do Pantanal.
 
O analista ambiental Alexandre Pereira, do Prevfogo/Ibama (Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais), espera que o aviso não se concretize, mas diz que todas as agências envolvidas no combate aos incêndios florestais vem se preparando desde o ano passado para a temporada de fogo 2021.
 
"A gente espera que não ocorra, mas as condições climáticas estão muito semelhantes as do ano passado: baixa quantidade de chuva, nível do Rio Paraguai. Está muito semelhante ao ano de 2020 e a previsão é de que o evento se repita", diz.
 
No entanto, como o Pantanal ainda se recupera das queimadas que atingiram grandes extensões, Alexandre explica que a tendência é que a grande quantidade de área não esteja disponível para queimar novamente.

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