Sobre ter resiliência
Com incentivo de amigos, rapaz montou campanha para arrecadar fundos
"Não acho que a vida tenha sido injusta comigo. Deus entrega o fardo que só a gente é capaz de carregar. Acredito que ele esteja me usando como exemplo para os outros, de que sobreviver é possível. Basta ter fé".
Aos 29 anos, o auxiliar de produção Leandro da Silva Farias vem sendo uma lição de resiliência. Mesmo com as adversidades da vida – ao perder a mãe de suas duas filhas mais velhas para o suícidio, ver a caçula Lívia ser diagnosticada com câncer e ainda ficar desempregado por priorizar sua pequena –, ele ainda sim consegue se mostrar enquanto uma pessoa otimista, com uma esperança sem igual.
"E acho que tá dando certo", brinca. "O que minha filha tem é tratável e curável, então seguimos firmes e fortes na mão de Deus. A vida acontece, nem tudo é tão simples, fácil, mas é possível de se resolver. Basta levar um dia de cada vez", afirma.
Mesmo Leandro ter sua pequena Lívia diagnósticada com leucemia aguda, esperança é seu maior fator motivador.Natural de Osasco (SP) mas Aquidauanense de coração, Leandro passou a infância e parte da adolescência no município. Aos 16 anos, foi para a Capital e até hoje se encontra por lá. Teve duas garotas em um relacionamento anterior e, mais recentemente, Lívia – a "xodó" da família. Mal a menina completou seu 2º ano de vida e já veio o diagnóstico de câncer.
"Ela ficou muito pálida, com crises de desmaio e até a bolinha dos olhos ficou maior que o normal. Eu e minha esposa Keila levamos ela na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) perto de casa e foi quando tudo começou", relembra.
O exame de sangue até sugeriu um quadro de anemia fortíssima, mas após bateria completa certificou-se leucemia linfóide aguda tipo B. "Fomos direto para o Hospital Regional, onde Lívia ficou 28 dias internada. Ela estava muito fraquinha e precisava desse repouso para receber o medicamento e as primeiras sessões de quimioterapia. De lá pra cá, já se passaram 4 meses", conta. Para o pai, o mais difícil nisso tudo foi ver o cabelo da filha ficar ralo a ponto de cair da cabeça.
"Mas o engraçado é que a doença não tirou sua alegria de ser. Lívia é arteira, esperta, capta as coisas ligeirinho. Desde que nasceu, carrega um sorriso natural só seu, fora a vitalidade de ser brincalhona e amorosa com a gente que é pai e mãe e também com as outras irmãs", descreve.
Aos 29 anos, Leandro é o pai "coruja" da pequena caçula; ainda, ele tem outras 2 filhas de um relacionamento anterior.Como numa mão sortuda de pôquer, Leandro vive atualmente com suas quatro damas – as três filhas mais a esposa. Antes disso, entretanto, as filhas mais velhas viram a matriarca ceifar a vida bem no Dia das Mães. "Foi um trauma que poderia ter sido evitado. Acabou que elas duas viram a cena toda. Não pensei duas vezes em elas duas voltarem a morar comigo. Não foi por obrigação, mas amor mesmo. Já passei muito tempo longe delas", lamenta.
Com suas meninas, Leandro diz que conversa bastante principalmente sobre o fato da irmã mais nova ter uma doença que requer cuidados especiais. "Minhas gurias são super carinhosas e respeitam o momento que a irmã está passando. Até escondem comer um biscoito ou fazer alguma peripécia que poderia deixar Lívia tristinha ou machucá-la".
Momento de ajuda – No momento, Leandro e Keila estão desempregados e se viram como podem, seja na compra de medicamentos, cuidando da casa ou revezamento as idas com Lívia no hospital. "Com a pandemia, não podemos nem pegar transporte coletivo – e isso pesa no bolso. Só vamos de Uber para diminuir o risco de contaminação, até porque não temos carro próprio", esclarece.
Campanha convida para que todos contribuam na arrecação de custos voltados exclusivamente ao tratamento de Lívia.Os dois explicam que jamais pensaram em ter que pedir ajuda, mas as circunstâncias da vida se encaminharam para isso. Com o incentivo de amigos, uma campanha de arrecadação vem sendo promovida desde o mês passado, o que tem ajudado bastante a família.
"E muito. Já conseguimos levantar o dinheiro do aluguel do mês e também pagar medicamentos e transporte para Lívia. Essa é uma ajuda voltada exclusivamente à ela. Deixamos o orgulho de lado para ter um incentivo do bem, e por isso somos agradecidos. Acreditamos que a palavra da vez é a esperança. Continuamos com fé de que dias melhores virão", finaliza.
Para ajudar Lívia e sua família, doações de qualquer valor podem ser realizadas via chave PIX 049.882.781-07 (Leandro da Silva Farias), banco PicPay.
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