#VacinaSim
Professora conta sua história para mostrar que só a vacinação vai nos tirar dessa
"Se a vacina tivesse chegado mais cedo, tenho certeza de que meu pai e meus 2 irmãos ainda estariam vivos".
A corumbaense e professora de biologia Silvia Ortiz Costa teve, aos 58 anos, enfrentar a maior dor de sua vida. No curto período de 1 mês, viu seu pai Silvio e seus dois irmãos Nelson e Luis perderem a luta contra o novo coronavírus. Mesmo dois deles terem recebido vacina, o tempo não foi suficiente: a imunização não estava completa e eles adquiram a covid justo na "sorte" de uma dose. Assim, de uma hora para outra, na ironia de achar que nunca vai acontecer com você, os três se despediram da filha e irmã querida.
Os filhos Nelson e Luiz junto do patriarca Silvio foram as três vítimas sequenciais para lamento da família Ortiz.Ao O Pantaneiro, Silvia dividiu essa história difícil, que também é muito parecida com a de outros 510 mil brasileiros vítimas da covid-19. Mesmo completamente vacinada, ao tomar as 2 doses da Coronavac necessárias para se precaver da doença, a corumbaense ainda se questiona porque é que teve a bênção de continuar viva e seus familiares não.
"Muitos dizem que Deus quis assim, mas eu pergunto: que Deus impiedoso é esse? Não, de maneira alguma, o que matou meu pai e meus irmãos não foi a falta de cuidado, mas a falta de vacina! Por causa de um governo genocida, emburrecido pelo poder, pela disputa, e pelo descrédulo dos fatos. Das mortes!", afirma categoricamente.
Silvia recebendo a primeira dose da vacina; corumbaense tem a certeza que só a vacinação é que vai nos salvar dessa.A cronologia da tragédia na família Ortiz é a seguinte: o irmão Nelson faleceu no dia 17 de maio aos 57 anos; já o pai Silvio, dia 10 de junho aos 89. Por fim, Luis Daniel perdeu a vida no último dia 14 deste mês, aos 47 anos. Silvia compartilha como é que tudo aconteceu.
"Nelson há muito tempo não visitava nosso pai. Ele até chegou a tomar a primeira dose da AstraZeneca, mas adquiriu a covid uma semana depois. Foi internado, entubado e, por ter comorbidades, não resistiu. Já meu pai morava com um bisneto dele. Quando o rapaz apresentou os primeiros sintomas, nós três fizemos o teste. Deu reagente para eles dois. Como eu ia diariamente na casa do meu pai ajudá-lo, sempre tomava todas as precauções. Meu pai já tinha tomado as duas doses da Coronavac, mas tinha comorbidade cardíaca, com ponte de safena. Fomos a um médico particular, que na época constatou que o pulmão não havia sido afetado. Porém, um dia o oxímetro marcou 80 e fomos correndo para o pronto socorro. Meu pai ficou dois dias esperando vaga na UTI (unidade de terapia intensiva) do hospital. Quando foi o último dia 8, teve entubação. Dois dias depois ele havia falecido", relata.
Silvia conta que o irmão Luis foi o único que não ganhou dose da vacina. "Ele estava trabalhando em casa e quase não visitava nosso pai. Quando ia, estava de máscara no rosto, álcool gel na mão, distanciamento como protocolo máximo. Mesmo assim, acabou sendo contaminado junto com seu filho e sua esposa. Jovem – nem cinquentão era – e sem nenhuma comorbidade, entrou no hospital dia 14 de maio, também foi intubado e, dias depois, teve morte cerebral confirmada. Seu coração parou de bater em seguida", relembra.
Registro de Silvia com o pai; "admito que ainda choro todos os dias de saudades deles, afinal é tudo muito recente"."O tempo é o melhor dos remédios, no sentido que a dor ainda será substituída pela saudade – mas pelo visto, sentir saudade também dói…"
A irmã diz não saber como sobreviveu essa intensa dor, de perder os três sequencialmente. "Primeiro eu simplesmente odiei, mas quando o meu último irmão se foi, me pautei na sua alegria, bondade e a união que sempre existiu em nossa família. Substituí o ódio que me nivelaria por baixo pelo amor, pela compaixão que eu ainda apresentava", descreve.
"Admito que ainda choro todos os dias de saudades deles, afinal é tudo muito recente. Procurei ajuda dos amigos, da medicina, da ciência, que são o que realmente importam nesse momento difícil. Combato as falsas notícias, os chás milagrosos, os medicamentos inúteis que insistem em nos oferecer por uma única saída da doença: a vacina. Então, vacina sim!", opina.
Silvia fez questão de comparecer à segunda dose com um cartaz colado na roupa: "a vida não espera, #VacinaSim".Enquanto professora de uma escola particular, ao retomar as aulas Silvia fez questão de abordar sua tragédia com os alunos, explicando incansavelmente sobre a importância da vacinação, que não existe medicamento que "cure" a covid. "Exponho tudo com provas científicas. Para aqueles incrédulos, minha história basta".
E finaliza: "é um sofrimento não poder dar o último beijo, o último abraço, de não poder vestir os nossos mortos queridos com as melhores roupas, chamar os amigos e familiares para a despedida eterna. O caixão entra no hospital e sai com um corpo despido, direto para o cemitério. Um corpo que pode ser pai, mãe, filho, irmão… eu me pergunto: o que fiz para merecer estar viva? Não foi só acreditar na ciência, mas ter a 'sorte' do tempo, isto é, de tomar as doses e me imunizar completamente. Já seu Silvio, meus queridos Nelson e Luis e outros 510 mil brasileiros vítimas da covid, infelizmente não".
PREPARE-SE
Previsão indica cerca de 30 milímetros de chuva e temperaturas entre 24°C e 27°C; eleitores devem ficar atentos às condições do tempo.
RECONHECIMENTO
Empresário de Aquidauana foi homenageado pelo Conselho Regional de Administração de Mato Grosso do Sul por sua trajetória no setor de gastronomia.
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