A incidência de focos de calor no Pantanal de Corumbá, município com maior porção do bioma, reduziu 81% de janeiro a julho de 2021 em relação aos últimos cinco anos, informou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os investimentos do Governo do Estado na compra de equipamentos para o Corpo de Bombeiros e as ações preventivas envolvendo as propriedades foram fundamentais para criar esse indicador positivo.
Para o governador Reinaldo Azambuja, a estatística do Inpe demonstra um cenário altamente positivo e a eficácia do plano estratégico de prevenção e combate aos focos de calor lançado pelo Estado, onde o Corpo de Bombeiros, atuando apenas com seu efetivo, tem dado resposta imediata aos desastres. “Temos investido muito para equipar nossos bombeiros e atuado de forma integrada, envolvendo outros órgãos, como o Ibama, Imasul e PMA”, disse.
Reinaldo Azambuja cita o trabalho que o Corpo de Bombeiros realizou desde maio no Pantanal, onde as guarnições percorreram as fazendas situadas em regiões polos para capacitar os peões como brigadistas. “O resultado desse treinamento foi imediato e surpreendente, atingiu centenas de trabalhadores e muitos já atuaram na frente do fogo, na união das fazendas, não esperando a chegada dos bombeiros em áreas onde o acesso terrestre não é possível”, comentou.
Monitoramento 24h
O governador também ressaltou que a vigilância dos bombeiros e dos setores de fiscalização tem sido diuturna no bioma pantaneiros e nos parques estaduais, com monitoramento aéreo e por imagens de satélites. Na avaliação do comandante-geral do CB/MS, coronel Hugo Djan Leite, os decretos estaduais de situação de emergência e de proibição da queima controlada foram fundamentais para o trabalho preventivo e ações rápidas e intensivas dos bombeiros.
Na tabela dos dez municípios brasileiros com maior número de focos concentrado de 2017-2021, Corumbá ainda se mantém na segunda posição, com 502 incidências, de 1º de janeiro a 25 de julho. No entanto, na comparação ao acumulado de focos dos últimos cinco anos, a Capital do Pantanal apresenta uma redução significativa de 81%. No mesmo período de 2020, o número de focos foi recorde em cinco anos: somou 2.595, com elevação de 149%.
Nesta segunda-feira (26), incêndios de proporção mediana estão sendo combatidos pelos bombeiros no Paraguai-Mirim e Porto Esperança, ao Norte e Sul de Corumbá, como parte da Operação Hefesto. No Porto Esperança, as chamas avançaram sobre a vegetação e chegaram a destruir os dormentes da antiga ferrovia Noroeste do Brasil. “Localidade onde é possível chegar somente de barco”, informou o major Telles Ribeiro, coordenador da operação.
Além da capacitação, as ações preventivas identificaram por meio de coordenadas as regiões de difícil acesso e de maior probabilidade de incidência de fogo, existência de pista de pouso e estrutura das fazendas em relação a equipamentos e maquinários para combate aos incêndios. “Esse levantamento auxilia na pronta resposta ao fogo, foi um trabalho muito produtivo”, explicou o tenente-coronel Luciano de Alencar, comandante da unidade do CB/MS de Corumbá.
Socorro aos vizinhos
O grau de satisfação das comunidades rurais com a instrução levada pelos bombeiros a regiões onde o Estado não era presente, pelas dificuldades de acesso e longas distâncias, foi destacado pelo comandante, citando que a capacitação chegou a propriedades situadas na região do Piquiri, divisa com Mato Grosso, distante cerca de 170 km em linha reta de Corumbá. O trabalho também foi realizado com os extrativistas da Apa Baia Negra, em Ladário.
Envolvendo 30 trabalhadores, a formação de brigadas se estendeu à propriedade da BrPec, no Pantanal de Miranda, onde o fogo foi intenso no ano passado. O curso de 16h/aula foi realizado por oito bombeiros, sob o comando do coronel Huesley Silva. A prova prática foi desafiante para a nova brigada, que atuou por várias horas no combate ao fogo em uma área de antiga plantação de eucaliptos, operando com caminhões-pipas, tratores e patrolas.
“Hoje podemos dizer que temos uma equipe preparada para combate aos incêndios”, avaliou Juarez Sena Silva, que coordena o setor de segurança da fazenda, sede da Operação Pantanal em 2019. “Primeiramente, visamos a prevenção do meio ambiente e agora temos meios para evitar a destruição que ocorreu no ano passado. Temos estrutura de maquinários, faltava a capacitação para atuar de forma eficaz e também socorrer os vizinhos”, completou.