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Impunidade?

Protesto pede fim da impunidade a professor acusado de estupros em academia

Uma das vítimas, o jovem Raul Bartzik, tirou a própria vida quase 1 ano depois

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Em Campo Grande, a demora na solução efetiva no caso de supostos abusos sexuais de professor de capoeira contra alunos em academia motivou protesto, com cerca de 50 pessoas, na tarde desta quinta-feira (4) em frente ao fórum municipal, para cobrar celeridade do processo. Um das vítimas, Raul Bartzik, de 18 anos – que morreu no mês passado –, foi lembrado.

Segundo o Campo Grande News, para os manifestantes, a morosidade da Justiça desencoraja vítimas de abusos a relatarem os crimes e ainda gera um sentimento de impunidade. Em fala aos manifestantes, um rapaz todo de preto lembrou que uma das frases constantes de Raul era: “alguém tem que parar esse cara”, referindo-se ao professor.

Também no protesto e ex-aluno de quem antes chamavam de “mestre”, Judith de Cássia, 28 anos, afirma que foi a primeira a ouvir sobre os abusos de uma das vítimas e acredita que por elas serem adolescentes homens, o professor usava de um discurso machista para mantê-los calados.

“Ele tinha o mesmo discurso perante todos e com isso, as vítimas ficavam com mais vergonha e confusos”, relatando que o “mestre” usava de artifícios que dissimulavam sobre a sexualidade dos meninos e os deixava inseguros de relatar a violência.

Pesquisadora do Comitê Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes (Comsex) e também participantes da manifestação, Estela Scândola, afirma que as duas principais causas de suicídio são sofrimentos ligados à liberdade sexual e à violência sexual.

“Grande parte das vítimas de suicídio também foram, em algum momento, vítimas de abuso sexual”, explica.

Para ela, no caso de Raul, houve um agravante, que foi a impunidade. “Não ver a denúncia que você fez caminhar, também causa sofrimento à vítima”, relatou.

Cerca de 50 pessoas entre familiares e amigos de Raul, além de ex-alunos do professor, se reuniram em frente ao Fórum esta tarde, fizeram caminhada na rua da Paz e seguiram para a frente da Prefeitura de Campo Grande onde rezaram o “Pai Nosso”.

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