Levantamento feito no ano passado identificou 18 municípios em situação de insegurança para o fornecimento de água
João Marcelo Correia Sanches
Publicado em 05/11/2021 às 10:41
Atualizado em 10/09/2026 às 14:13
A seca histórica na região pantaneira, que perdura desde o ano passado, fez a Empresa de Saneamento de MS (Sanesul) ligar o sinal de alerta quanto ao abastecimento de água em 14 cidades do Estado. Ações preventivas em Corumbá e Ladário foram colocadas em prática para evitar cortes na rede.
Em 2020, a Sanesul implantou um plano de contingenciamento onde foram identificados 18 municípios que exigem uma atenção maior com relação à produção e à garantia no abastecimento da população com água. Dentre eles, 14 são atendidos com captação superficial (dos rios) por meio de bombeamento para as estações de tratamento.
Em Corumbá e Ladário, cidades banhadas pelo Rio Paraguai, a empresa vem monitorando diariamente o comportamento dos índices fluviométricos, que chegaram a um nível crítico, e tomou medidas preventivas no sentido de garantir que não ocorra interrupção no abastecimento de água em qualquer situação de alerta. Uma balsa com cinco motobombas anfíbias foi colocada ao lado da estrutura de captação de água de Cidade Branca para a eventual emergência.
Motobombas já estão posicionadas em complexo de captação de água em Corumbá (Foto: Saul Schramm/Governo de MS)Controle diário
O diretor-presidente da Sanesul, Walter Carneiro Junior, explicou que no caso de o sistema de captação de água perder a capacidade de bombeamento, a um nível zero das escotilhas fixas, as motobombas serão acionadas para, por meio de mangotes (mangueiras), abastecer a base da estrutura que recebe e lança a água bruta para as estações de tratamento. Estas ficam situadas a 2.600 metros da captação e a um nível de 80 metros em relação ao rio.
“A crise hídrica exigiu da companhia planejamento, execução e operação para garantir o abastecimento, em especial em Corumbá, onde o Rio Paraguai ainda não entrou em recomposição de seus níveis normais – o que demandará um volume muito grande de chuvas, principalmente em suas cabeceiras”, disse Walter Junior.
“Estamos em atenção especial, durante 24h, nas regiões onde desenvolvemos o plano de contingenciamento”, afirmou.
Pouca chuva
As condições hídricas na bacia do Rio Paraguai continuam críticas devido ao baixo volume de chuvas, com um acumulo de 27,7 milímetros na última semana de outubro. O nível do rio na régua de Ladário (referência no monitoramento hidrológico) continua em declínio (-0,19 cm, na quinta-feira), com previsão de voltar a subir na última semana de novembro e atingir a marca positiva de 0,70 cm.
Segundo o Sistema de Alerta Hidrológico, do Ministério de Minas e Energia, o valor do nível de água do Rio Paraguai em Ladário chegou a -0,60 cm no dia 16 de outubro, a segunda menor vazante na série histórica de dados da estação em 121 anos. Mesmo com a tendência de elevação do rio, o nível continua na zona de atenção (abaixo da cota de permanência de 90%).
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