Trabalhador teve o cartão bloqueado durante período de transferência
Karina Aguilar
Publicado em 05/09/2022 às 19:19
Atualizado em 10/09/2026 às 14:19
Um morador de Valparaíso de Goiás, em Goiás, recebeu uma indenização de um banco brasileiro por ter os bens bloqueados após receber R$ 15,5 bilhões por engano. Imediatamente, o cobrador de ônibus Jairo Xavier Evangelista, de 51 anos, entrou em contato com o banco, em abril de 2019, para informar a movimentação equivocada na conta bancária. As informações são do R7.
Embora tenha entrado em contato com a instituição financeira afirmando que iria fazer a devolução do valor, o banco bloqueou o cartão sem avisá-lo. Por isso, ele entrou na Justiça e pediu reparação de danos morais. A empresa foi condenada, entretanto, o trabalhador deve receber apenas R$ 1 mil.
"É até difícil de acreditar. Tive tanta dor de cabeça com esse problema. Fiquei sem trabalhar alguns dias, pois não consegui usar o cartão para sacar o dinheiro que tinha lá. Depois, precisei pegar dinheiro emprestado para ir até a agência e resolver tudo. Não consegui folga no emprego e tive que pagar a alguém para trabalhar para mim. Tudo isso porque não me avisaram que o cartão seria bloqueado. Acabei sendo prejudicado por um erro que não foi meu. Mas, para a Justiça, não foi nada de mais", lamentou o cobrador, em entrevista ao R7.
A cidade fica no interior do estad, e durante o período ele precisou ir várias vezes para o município vizinho, em uma agência de Taguatinga, região administrativa do Distrito Federal a aproximadamente 40 km de distância da casa dele. Jairo conta que pegou uma fila enorme e ficou a manhã inteira no banco até devolver os R$ 15,5 bilhões e, enfim, ter o cartão desbloqueado. Mas essa não foi a única dor de cabeça.
“Liguei para o banco no mesmo dia em que o dinheiro apareceu na minha conta, mas a pessoa que me atendeu disse apenas que eu deveria procurar uma agência. Depois, fui abastecer o carro, e o cartão já estava bloqueado. Foi um constrangimento desnecessário. Deixei de resolver outras questões pessoais por causa disso. Foram só dois dias, mas passei por coisas que não deveria ter passado”, comentou.
Só no ano seguinte Jairo ingressou na Justiça, para ele, a reparação deveria ser de R$ 10 mil. O processo tramitou desde então para ser julgado. A decisão veio no último 17 de agosto.
O processo foi analisado pelo juiz Leonardo Tocchetto Pauperio, da Subseção Judiciária de Luziânia, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que concordou em condenar o banco a reparar Jairo por danos morais, mas que o valor estipulado não apresentava provas suficientes para tal cobrança.
“A falha na prestação do serviço bancário é evidente; afinal, o banco, por um erro operacional seu, creditou na conta do autor uma soma vultosa de dinheiro que não lhe pertencia. Todavia, extrai-se do extrato bancário da conta do autor que o autor ficou por apenas dois dias sem conseguir utilizar o cartão e, embora tenha narrado que teve que faltar ao trabalho nesses dias em razão do ocorrido e que não conseguiu abastecer o seu carro, o autor não juntou qualquer elemento de prova das suas alegações”, escreveu o juiz na decisão.
De acordo com Pauperio, “embora o autor tenha tido um dano moral, ele foi mínimo, e a indenização a ser fixada deve observar a extensão do dano ora apurado”. Dessa forma, o juiz determinou que o banco pague R$ 1.000 a Jairo, valor que ele considera “justo, razoável e proporcional ao dano apurado nos autos”.
Jairo não ficou feliz com o acordo e diz que sente como se ele fosse o culpado na história. “Fica uma sensação de impunidade, como se eu fosse o causador de todo o problema. A minha dignidade foi lá embaixo. Eu corri atrás de tudo e ainda tive que arcar com os prejuízos de ficar com o cartão bloqueado.”
Em nota, o banco respondeu que “não comenta ações judiciais em curso”.
Eleições 2026
Candidato a deputado estadual pelo PL participou de encontros nesta quarta-feira; ele apresentou propostas voltadas à geração de emprego e renda, investimentos e ampliação das oportunidades para a população da região
Eleições 2026
Candidata a deputada federal pelo PSDB destacou demandas de Bela Vista; saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento estão entre as prioridades
Voltar ao topo