Essi Rafael Mongenot Leal chega ao Itamaraty envolto no universo de cineasta
Essi Rafael Mongenot Leal afirma que gosta de fazer as coisas de maneira lenta, sem pressa. Talvez por essas características, de resiliência e paciência, esteja empenhado em conjugar em apenas uma vida a diplomacia e o cinema. A primeira é emoção, sobrevivência, a segunda é paixão e tudo o que enseja este sentimento. As duas são os ingredientes dessa receita de sucesso.
Aos 15 anos, quando deixou Aquidauana para rumar a Campo Grande em busca de estudos no Ensino Médio, tinha o cinema como foco. Levava na bagagem a história do Portal do Pantanal, do Mato Grosso do Sul e nunca a deixou. Iniciou os estudos em Cinema na UFSCar (Universidade de São Carlos) e, desse movimento, surgiram filmes de documentários.
Glamuroso, mas pouco rentável e acessível à maioria dos realizadores, o Cinema passou ao território da paixão na alma de Rafael, que já tinha a diplomacia em mente. “O sonho de fazer cinema não morreu, mas essa é uma das profissões artísticas mais difíceis. Eu já havia feito a prova para o Itamaraty em Campo Grande e me interessei, também, por essa área”.
O hoje diplomata, recorda dos tempos no Instituto Educacional Falcão, quando já desenhava bandeiras de países para amigos e permanecia envolto na diversidade geopolítica. Com os pés no chão e a cabeça no mundo, persistiu nos bancos escolares e entrou para o curso de Relações Internacionais, na USP (Universidade de São Paulo). Entre o Direito, a História do Brasil, a Política Internacional, reforçou o estudo de idiomas, como o Francês, uma aspiração antiga motivada pela curiosidade sobre o próprio sobrenome.
No longo caminho para o Itamaraty, não deixou o Cinema, participou da elaboração de curtas e documentários que já mereceram prêmios, como o registrado em Cartagena das Índias, na Colômbia. Rafael recorda que só conseguiu comparecer à premiação por ter solicitado férias no Itamaraty, órgão que, na avaliação dele, tem recebido cada vez mais pessoas maduras.
O próprio Essi Rafael, aos 35 anos, avalia como positiva a maturidade das fileiras do Itamaraty, onde chegou após disputar uma das 18 vagas para a ampla concorrência juntamente com mais 6 mil pessoas. “São 25 vagas, sendo essas 18 para ampla concorrência e é uma disputa grande em um processo difícil. Nas provas dissertativas, por exemplo, temos a sensação de estarmos escrevendo um livro”.
Não é livro, mas tem igual importância cultural o documentário de Rafael, “As quatro Estações da Juventude”, que está no forno há 13 anos, e estará em breve em festivais pelo País. Eclético, o documentário relata a vida de dez estudantes universitários e as vivências particulares de cada um diante do Brasil. A quase uma década e meia de realização é atribuída à maneira de ser do diretor, que prefere fazer as coisas de maneira lenta, como explica. Também estão nas motivações, o recente cenário político nacional, com redução dos incentivos para a cultura e a quase escassez de editais para o setor.
Nesse ponto, Rafael revela ter investido parte do salário do Itamaraty no sonho do Cinema. E a confissão torna impossível deixar de fazer uma ligação do discurso do cineasta como orador de turma e que inspirou o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva a tratar sobre a importância da representatividade. Na turma há estudantes de 13 estados, mas o que surpreendeu mesmo o cineasta diplomata foi o fato de Lula ter acertado o nome dele, Essi, já na primeira menção.
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