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MS discute mercado ambiental com seminário em Miranda e Corumbá

Evento do Ibama reúne gestores, pesquisadores e setor produtivo para debater uso sustentável dos campos nativos e desafios do bioma pantaneiro

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O secretário-adjunto da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Artur Falcette, destacou a necessidade de criar “condições de mercado” para viabilizar políticas ambientais no Pantanal, durante a abertura do Seminário Nacional “Uso Sustentável das Formações Campestres no Brasil”, realizado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) nas dependências da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), nessa terça-feira (25).

O evento segue até esta quarta-feira (26), com debates sobre uso sustentável e conservação dos recursos naturais campestres, incluindo discussões sobre histórico de manejo, pastejo e fogo. Nos dias 27 e 28, haverá uma visita técnica à sub-região do Pantanal do Abobral, no Passo do Lontra, nos municípios de Miranda e Corumbá, ampliando a troca de conhecimento diretamente no campo.

Com foco direto nos desafios do bioma, especialmente na região pantaneira de Corumbá e municípios vizinhos, Falcette apontou que pecuaristas interessados em substituir pastagens por variedades nativas não encontram alternativas de sementes de capim pantaneiro disponíveis no mercado.

“Não temos nenhuma empresa que reproduza e comercialize semente de capim nativo. Esse indivíduo precisa ter na prateleira o produto”, afirmou o secretário-adjunto, reforçando a importância de criar “condições de mercado” para que políticas ambientais possam ser efetivamente aplicadas.

Ele acrescentou que a articulação entre academia e iniciativa privada é essencial para transformar propostas técnicas em ações concretas. “É importante que tenhamos a capacidade de colocar essas ideias embaixo do braço e levar lá na ponta, para quem de fato faz as coisas acontecerem, que são na maioria das vezes a iniciativa privada”, disse Falcette, ressaltando que 97% do território pantaneiro pertence à iniciativa privada.

O diretor de Florestas do Ibama, Renê Luiz de Oliveira, reforçou o posicionamento ao afirmar que o órgão “está aberto a discutir a sustentabilidade do uso das formações campestres”. Ele destacou que existe um estigma de que o uso dessas áreas reduziria seu nível de proteção, mas frisou que o Pantanal — ocupado há 300 anos e com mais de 80% da vegetação nativa preservada — prova que esse entendimento não se sustenta.

A abertura do seminário contou ainda com a presença das superintendentes do Ibama de Mato Grosso do Sul, Joanice Batilani, e de Mato Grosso, Cibele Madalena Xavier Ribeiro, além da reitora da UFMS, Camila Ítavo, entre outros convidados.

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