A "Pira" que deixa todo mundo "piradão": da beleza pantaneira a hospitalidade do seu povo, sem esquecer da cultura do simples e da comida que é de dar maior água na boca. Economia girada pelo Pantanal, que por sua vez promove o turismo. E por aqui, viajar é de bom gosto.
De tudo isso e um pouco mais, essa terra é literalmente uma pira – fogo simbólico que arde em paixão. Seja no nome ou no espírito da nossa gente...
Sem mais, nem menos: assim é feito o distrito sul-mato-grossense de Piraputanga (Foto: Luiz Felipe Mendes)Assim é o distrito de Piraputanga, que neste domingo (24) completa 90 "aninhos" pra dar, vender e ensinar que história boa nunca há de faltar. Nascida primeiramente como lugar de garimpo, logo viu que sua "mineração" seria outra.
E nessa brincadeira, quase que nem carregaria o nome que leva como motivo de orgulho – "peixe avermelhado", em tupi-guarani.
Portal e placa que marcam o início da Estrada Parque de Piraputanga; 90 anos antes, aqui era terra de garimpo.
Em 9 décadas, o que antes era apenas um vilarejo simples se tornou hoje um distrito cheio de carisma.O vilarejo de antes foi montado por garimpeiros que buscavam o mesmo "fervo" da vizinha Palmeiras. Lá, a atividade de extração de pedras preciosas era bastante reconhecida, mas em Piraputanga não durou muito tempo, não. De 1929, quando os primeiros mineradores vieram, pouco mais de dois anos se passaram para que a vila virasse distrito estadual como é hoje. O ano era 1931. A data, 24 de outubro.
"Esse grupo [de garimpeiros] fixou-se ali, o que consequentemente atraiu ainda outras pessoas interessadas em viver na região para o garimpo. Para que eles pudessem comercializar o que encontravam, fundou-se oficialmente o distrito", esclarece o escritor e poeta Milton Vicente de Ferreira.
Aos 80 anos, o livro de Milton "Piraputanga, a Magia do Vale" vem sendo atualizado sempre que possível, tentando traçar um panorama cada vez mais completo com toda a história da fundação do distrito querido. Ele conta que o local ficou batizado pelo governo do Mato Grosso uno enquanto "Igrapiuna" – nome que hoje dá título a um município baiano.
"O que não agradou muito aos moradores [da época]. Então, por causa do córrego com muitos peixes, foi feito um pedido oficial de mudança do nome", detalha. Foi em 1959, ano de "fundação oficial" que Piraputanga virou de fato a nossa "Pira".
Que os próximos 90 anos de Piraputanga sejam de uma caminhada em estradas novas, lisas e repletas de verde.De lá pra cá, muita coisa mudou – e não foi só no nome. Estação de trem não existe mais, e Pantanal agora é só o bioma. Teve gente que em "Pira" nasceu, constituiu família própria, envelheceu e deixou raízes. Mas também teve quem criou raízes, optando por aqui fincá-las. Gerações passaram e outras mais passarão.
Se o caminho para os próximos 90 anos for tão bom quanto os noventa primeiros, que seja repleto de verde, de passarinho cantando, de animal dando "bom dia" na estrada, de gente caminhando na calçada, de sorriso bonito no rosto. Que seja de chuva, de sol, de vento e de muita natureza – de muita piraputanga a nadar nos rios.
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