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Falar mal do chefe na hora do almoço é prejudicial, dizem especialistas

Almoço é momento que funcionários têm para desabafar sobre empresa. Especialistas afirmam que a 'fofoca' pode prejudicar profissional.

Falar mal do chefe ou dos colegas de trabalho na hora do almoço é praticamente inevitável, afirmam especialistas, já que essa é a hora que os funcionários têm para desabafar sobre o que acontece na empresa de modo informal.

Apesar de difícil de conter, porém, a prática não é recomendada, de acordo com os consultores ouvidos , pois pode contaminar o ambiente profissional ou ainda ser mal interpretada, prejudicando aquele que desabafou mais do que deveria. A dica é pegar leve na "fofoca" e tentar resolver o problema direto com o colega ou chefe.

De acordo com Cecília Arruda, professora de administração da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em ética empresarial, quando a critica à empresa na hora do almoço torna-se um assunto recorrente, é porque há algo de errado na comunicação dentro da organização.

A especialista sugere que, quando um funcionário tem um problema com o chefe, por exemplo, o ideal é falar diretamente com ele. Se nada for feito, o empregado deve procurar o superior do chefe e, caso não haja solução, encaminhar a questão ao departamento de recursos humanos.

“Se todas as pessoas aborrecidas encaminharem o problema ao chefe do chefe, vamos ter esse chefe do chefe recebendo a mesma reclamação de vários funcionários. Para haver uma solução, é importante que o problema não fique só no nível dos pares”, diz.

Marcelo Abrileri, presidente da Curriculum.com.br, acredita que falar mal dos demais pode, inclusive, prejudicar o crescimento profissional. “Um fofoqueiro dificilmente será promovido”, diz. Para ele, os gestores tendem a não confiar naqueles que fofocam demais.

Abrileri acredita que, quando um profissional fala mal do chefe ou dos colegas para os outros em excesso, demonstra imaturidade. “Ninguém ganha pontos ao ficar depreciando uma pessoa. Você acaba sendo visto como aquele que vive falando mal dos outros e estraga a própria imagem”, diz.

Parte da empresa

De acordo com especialistas, cabe à empresa estabelecer canais de comunicação para que os funcionários possam resolver os problemas em equipe, como reuniões e conversas com gestores. Caso contrário, será inevitável as discussões acontecerem na hora do almoço. “Quando o assunto chega para o almoço, é porque o problema não é resolvido dentro da empresa e as pessoas querem desabafar e se sentir compreendidas”, diz Cecília.

Confiança

Os especialistas também alertam para uma questão importante quando o assunto são confidências: um desabafo pode ser mal interpretado por um colega e, no futuro, ser usado contra aquele que desabafou.

Leyla Nascimento, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), cita um exemplo. “Aquele com o qual conversamos na hora do almoço hoje pode ser nosso chefe amanhã”, diz.

Ela diz que, na carreira profissional, o horário de almoço é a extensão do ambiente de trabalho, por isso, é importante que as pessoas mantenham a postura profissional. “Com certeza o colega estará sendo avaliado pelos demais.”

Leyla acredita que, ao falar mal dos outros, a pessoa está se expondo para um público que pode não concordar ou até mesmo interpretar a questão de outra forma.

Áurea de Fátima Oliveira, professora de psicologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), diz que, mesmo quando a intenção do desabafo não for por maldade, pode haver distorções por parte dos outros colegas. “O outro interpreta da forma dele, fica subjetivo”, diz.

Por esses motivos, Áurea também acredita que o ideal é falar diretamente com o causador do problema. “A melhor forma é quando a conversa é aberta”, diz.

Climão

De acordo com os especialistas, o clima dentro da empresa acaba sendo prejudicado com o excesso de fofocas, interferindo nas relações entre os funcionários. “Ao desabafar na 'rádio peão' ou no corredor, estimula o desânimo entre as pessoas que participaram da crítica”, diz Leyla Nascimento.

Para Cecília Arruda, da FGV, a fofoca "coloca em ruína o clima da empresa e cria um ambiente amargo". “Pode acontecer de os funcionários terem falta de iniciativa no trabalho”, afirma.

A professora Áurea também alerta para o problema de o comentário sobre o outro tornar-se uma verdade entre os demais. “Quando isso acontece, é difícil de desfazer”.

Por que ficar?

Para a professora Áurea, quando não dá para resolver o problema na empresa, o profissional precisa avaliar se deve permanecer ou sair da empresa. Abrileri, da Curriculum.com.br, concorda: “Às vezes o chefe é um crápula mesmo, um grosso. Nesse caso, é importante a pessoa pensar se vale a pena pedir a conta.”

Áurea explica que o trabalhador tende a faltar mais, adoecer, ficar estressado e desmotivado, além de produzir menos, quando não consegue resolver os problemas do trabalho.

A professora lembra, porém, que não é todo funcionário que pode simplesmente sair do emprego quando está infeliz com o chefe. Há motivos pessoas, profissionais e financeiros que prendem a pessoa ao emprego, como a dificuldade de encontrar outra colocação.

Nesse caso, Áurea sugere que o profissional busque gastar menos energias com o problema, procurando não se incomodar com os impasses.

“Permanecer falando mal e alimentando uma espécie de energia negativa é um desconforto imenso. Só acusar e não fazer nada não resolve. Se a pessoa não pode mudar o outro, ou ela muda a situação ou muda a si mesma”, afirma.

Inevitável

Apesar de aconselhar evitar ao máximo a fofoca, os especialistas reconhecem que a postura, de vez em quando, é inevitável. “Ficamos na empresa na maior parte do dia e das nossas vidas, falar sobre o ambiente de trabalho no almoço acaba sendo natural. Mas não falamos só coisas ruins, falamos coisas boas também”, diz Cecília Arruda.

O gerente de projetos Cesar Duarte, de 27 anos, costuma almoçar com os colegas de trabalho e afirma que o desabafo sobre problemas na empresa acaba acontecendo, mas de forma sadia.

Andrea Guimarães, de 38 anos, colega de trabalho de Duarte, explica que na empresa onde eles trabalham há reuniões frequentes nas quais são abordados os problemas, prática recomendada pelos especialistas.

O chefe de ambos, o administrador Moises Lima, de 36 anos, afirma que os desabafos na hora do almoço só acontecem de vez em quando. "Eles falam mal de mim na minha frente", comenta.


Às vezes temos vontade dar umas 'aliviadas'. É difícil não falar nada, ninguém é perfeito, mas meu conselho é evitar ao máximo”, diz Abrileri.

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