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MEC quer explicações sobre expulsão de aluna do vestido curto

A Universidade Bandeirante (Uniban) decidiu pela expulsão da jovem que foi à aula com vestido curto, alegando que ela teria ferido os princípios da instituição. O Ministério da Educação não gostou nem um pouco e vai pedir esclarecimentos à Uniban. Caso julgue que houve intolerância pode até descredenciar a universidade. A Uniban, por sua vez, alega que a aluna Geisy Arruda costumava frequentar as aulas em trajes inadequados, o que seria uma postura incompatível com o ambiente.


A notícia da expulsão de Geisy movimentou a Vila Santa Teresinha, em Diadema, na Região Metropolitana de São Paulo. No ultimo dia 22 de outubro, Geisy Vilanova Arruda foi à aula usando um vestido curto, acima do joelho. As imagens gravadas de um celular mostram o tumulto que foi provocado. Ela teve que usar o jaleco de um professor e só conseguiu sair da universidade com escolta da polícia: "Me chamavam de vadia, de meretriz. Não vou me ausentar da minha culpa. O vestido era curto, mas achei que as pessoas teriam bom senso e não iriam se comportar daquela forma", disse a estudante.


A professora de psicologia da Universidade de São Paulo, Maria Isabel da Silva, diz que Geisy foi vítima de uma manifestação social muito perigosa: "Esses alunos se arrogaram ao direito de policiais, de justiceiros sobre a conduta alheia. Ao que é da decisão pessoal de como se vestir, eles passaram a policiar e agiram com violência. É extremamente condenável o que aconteceu".


André Pereira dos Santos faz engenharia no mesmo prédio de Geisy e viu toda a confusão: "A reclamação do pessoal é que ela denegriu a imagem da universidade".


A Uniban abriu uma sindicância composta por alunos, professores e funcionários para apurar os fatos e decidiu expulsar a aluna do primeiro período do curso de turismo.


"Estamos cumprindo as nossas regras. Não é a vestimenta. É o comportamento, a atitude da aluna de ir em direção à sala de aula e, no meio do percurso, levantar um pouco a saia. Os alunos conseguiam ver as partes íntimas. Entendemos que isso é inadmissível", diz o assessor jurídico da Uniban Décio Lencioni.


O advogado de Geisy, Nehemias Melo, vai recorrer da decisão: "Os culpados agora receberam um prêmio. Naquela instituição, agir como vândalo, como bárbaro, é premiado com inocência. Enquanto ser vítima de agressões covardes acaba sobrando o banco dos réus".


A Lei de Diretrizes e Bases da Educação é apontada pelo professor de direito constitucional Pedro Estevam Serrano como principal razão para que o Ministério da Educação investigue a sindicância que expulsou Geisy. Ele acredita que o MEC pode pedir até o fechamento da escola: "O estatuto de uma universidade não pode ser tido como superior à lei e à Constituição. Essa menina não poderia ter sido expulsa de uma universidade por uma simples sindicância, em que não se dá a oportunidade de ela produzir prova e se manifestar por meio de advogado".


Em nota, a União Nacional dos Estudantes (UNE) disse que a universidade deveria ser um espaço de diálogo e para construir relações sociais livres de opressões e preconceitos. Mas dá sinais de que vive na era das cavernas. A UNE exigiu que a matrícula da estudante seja mantida, que a universidade se retrate e que os agressores sejam julgados.

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