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Piscicultores necessitam de mais tecnificação e apoio na comercialização

29 DEZ 2007 - 10h35min
assessoria de comunicação

Diante da publicação recente de um trabalho científico, intitulado, "Diagnóstico das Pisciculturas de Mato Grosso do Sul", apresentado aos produtores e técnicos durante o I Congresso Brasileiro de Espécies Nativas, realizado na cidade de Dourados no período de 28 a 31 de agosto de 2007, ficou claro que grande parte das pisciculturas familiares instaladas em Mato Grosso do Sul, estão sendo desenvolvidas com baixos níveis de tecnificação e produtividade, aliado a falta de uma estrutura adequada para o escoamento da produção. O trabalho científico apresentado pela Dra. Emiko Kawakami de Resende, pesquisadora da Embrapa Pantanal contou com a participação direta de técnicos da Seprotur/MS, Superintendência Federal de Agricultura (SFA/MS) e da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (SEAP/PR-MS). O trabalho científico publicado no site da Embrapa Pantanal enfatiza a necessidade de mais pesquisas e de um centro de informações atualizadas sobre a piscicultura comercial de Mato Grosso do Sul, constituindo-se uma das grandes barreiras à definição de políticas para o setor.


Muito embora o Brasil seja o país detentor da maior biodiversidade de peixes de água doce do mundo e existam muitas espécies com grande potencial de aproveitamento, são várias as restrições para um aproveitamento adequado, particularmente no que tange a tecnologias de produção e de aproveitamento/processamento das mesmas. De acordo com Borghetti e colaboradores (2003), as espécies mais cultivadas no Brasil, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, são a carpa e a tilápia, espécies exóticas para as quais existem mais informações, tecnologias e mercado.


De acordo com Ostrensky et al. (2000), pelo menos 55 espécies de peixes vem sendo criadas no Brasil, comercial ou experimentalmente, com destaque para a carpa e tilápia, espécies exóticas. Algumas espécies de peixes brasileiros estão iniciando sua inserção no mercado, particularmente em nível regional. É o tambaqui na região norte, o pacu e o pintado, no centro oeste e sudeste do Brasil. Apenas as espécies brasileiras tambaqui, tambacu, traíra, pacu, jundiá, piraputanga e curimatã aparecem nas estatísticas do Ibama em 2002, com valores muitas vezes inferiores aos da carpa e da tilápia (Borghetti et al., 2003). Esses mesmos autores relatam que, em 2001, os oito maiores países produtores aquícolas foram asiáticos. O maior produtor asiático foi à China que respondeu por 77,8% da produção, com 34,2 milhões de toneladas produzidas. Na América do Sul, Chile foi o principal produtor, com 631,9 mil toneladas, equivalente a 52,9% da receita total gerada em 2001. Foram seguidos pelo Brasil, com 210 mil toneladas e Equador, com 67,9 mil toneladas. Apesar desse ritmo de crescimento, acreditam que existem grandes pontos de estrangulamento na sua manutenção e que, em alguns casos, podem até comprometer a sustentabilidade econômica da atividade.


A piscicultura sul-mato-grossense foi fortemente impulsionada pelos pioneiros das regiões sul/sudeste do Estado, principalmente na região de Mundo Novo, Três Lagoas e na região da grande Dourados, constituindo-se até hoje como importantes pólos de produção de peixes em cativeiro. O Estado só se tornou mais conhecido na atividade, através do Projeto Pacu, um dos pioneiros na produção em massa de alevinos de pacu e no domínio da tecnologia de produção e reprodução de peixes carnívoros como o pintado. Entretanto, por falta de resultados de pesquisas no setor, os cultivos vem se desenvolvendo com o uso de híbridos inter-específicos como o tambacu (híbrido de tambaqui com pacu) e de pintado e cachara, cuja denominação varia em função do sexo dos parentais utilizados, originando-se denominações regionais como cachapira, ponto e vírgula, entre outros.


Os levantamentos de campo realizados no Estado com o objetivo de identificar o número de criadores, espécies cultivadas, lâmina d'agua disponível e produção obtida, ainda servem como referência para a atual base de dados da Câmara Setorial da Piscicultura, que também já está desatualizado. O primeiro cadastramento oficial das pisciculturas foi realizado em 1998 pela UFMS em parceria com o IAGRO, atingindo pouco mais de 45% dos municípios do Estado. Com o avanço expressivo da atividade, em todas as regiões, inclusive na capital, chegando a dobrar em pouco mais de cinco anos o número de piscicultores, foi realizado um amplo trabalho em 2001, atingindo 97 % dos municípios de Mato Grosso do Sul, através das ações do Núcleo de Aqüicultura e Pesca da Delegacia Federal de Agricultura (DFA/MS), com recursos do Departamento de Aqüicultura e Pesca do Ministério da Agricultura (DPA/MAPA). O Diagnóstico foi realizado em 75 municípios do Estado, ficando de fora apenas os municípios de Ladário, Porto Murtinho e Alcinópolis que não possuíam nenhum estabelecimento cadastrado anteriormente.


O Diagnóstico das Pisciculturas Comerciais de Mato Grosso do Sul, envolveram pisciculturas que exploravam  pesque pague, recria, engorda e reprodução (larva, pós-larva e alevinagem). O trabalho foi coordenado pelo Fiscal Agropecuário Orlando Baez, na época, Chefe do Núcleo de Aqüicultura e Pesca da DFA. As visitas aos piscicultores foram feitas pelos técnicos, Gerson Tamio, Antonio Ferreira Garcia e Valter Loeschner, ambos, Agentes de Atividades Agropecuária da DFA/MAPA. Os dados obtidos com os 532 piscicultores visitados pela DFA em 2001 foram repassados ao Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário (SDA) Seprotur/MS e Idaterra/MS, para subsidiarem diversos projetos de unidades frigoríficas que desejavam se instalar nos municípios de Coxim, Três Lagoas, Itaporã, Dourados e Mundo Novo, para processamento de pescado. Outros recadastramentos aqüícolas também foram realizados parcialmente em 2004 através da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo (Seprotur/MS) mais especificamente na região da grande Dourados.


Em 2005 teve inicio o Censo Aquícola, um projeto três em um, organizado pela SEAP/PR, que pretendia ser o mais abrangente possível e procurava atender questões ambientais e de sanidade animal, vitais para a piscicultura em todo o País. O Projeto do Censo Aquícola 2005 foi elaborado e coordenado pelos Agentes de Atividade Agropecuária, Mascarenhas Matos de Carvalho e Valter Loeschner, lotados no Escritório da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República (SEAP/PR-MS) em parceria com a Câmara Técnica Setorial da piscicultura no Estado. Os trabalhos de campo realizados pelos Agentes Agropecuários proporcionaram informações que possibilitaram a publicação do trabalho científico através da Embrapa Pantanal, apresentado ao público pela Dra. Emiko Kawakami durante o I Congresso de Espécies Nativas em Dourados. O levantamento realizado pela SEAP/PR-MS em 48 municípios do Estado compreendeu o nome do proprietário e da propriedade, o município, endereço, coordenadas geográficas da área explorada, dimensão da área inundada, tipo de atividade (comercial, lazer ou subsistência), espécies cultivadas e produção estimada por espécie (t/ano). Os dados foram analisados considerando-se a localização por município, dimensão da área inundada e espécies cultivadas. De acordo com o projeto, o censo aquícola, além de mostrar os dados de produção do Estado, deveriam mostrar também os problemas ambientais e de sanidade aquícola enfrentados pelos produtores, infelizmente foi interrompido na metade do cronograma de execução em função do corte de recursos financeiros por parte da SEAP/PR.


Uma das revelações que o censo aquícola proporcionou a cadeia produtiva do peixe no Estado foi que grande parte das pisciculturas familiares estão sendo desenvolvidas com baixos níveis de tecnificação e produtividade, aliado a falta de uma estrutura comercial adequada para o escoamento da produção. As maiores concentrações de produtores de peixes são de pequeno porte, com áreas inundadas inferiores a um hectare, localizados nos municípios de Amambai, Dourados, Douradina, Campo Grande, Três Lagoas, Coxim, Nova Alvorada do Sul, Maracaju, Sidrolândia, Itaporã e Bonito. A espécie mais cultivada ainda é o Pacu, encontrada em cerca de 70% das propriedades visitadas, seguido de perto pelas Tilápias. Os maiores estabelecimentos piscícolas com áreas inundadas superiores a 50 hectares encontram-se no eixo sudeste/sul de Mato Grosso do Sul.


O levantamento realizado em 2001 pela DFA/MS, cobriu 75 municípios enquanto que o da SEAP/PR, apesar de fornecer mais informações sobre a produção, foi realizado parcialmente em apenas 48 municípios de Mato Grosso do Sul. Em conformidade com os registros existentes na Seprotur/MS, fornecidos pelo Engenheiro Agrônomo, João Sotoya Takagi, foram encontrados 819 empreendimentos piscícolas no Estado. O tamanho máximo observado foi de 114 hectares. Mais da metade das pisciculturas cadastradas possuem áreas inundadas inferiores a um hectare. Das informações obtidas junto a SEAP/PR-MS, verificou-se que o levantamento foi parcial e contemplou apenas 48 dos 78 municípios do Estado. Foram levantadas 504 pisciculturas, cujos resultados, são similares aos encontrados pelo levantamento realizado pela Seprotur/MS, ou seja, predominância de empreendimentos de pequeno porte.


Utilizando-se as informações da Secretaria Estadual, verificou-se que os municípios que possuem mais de 30 empreendimentos piscícolas são Amambai, Dourados, Douradina, Campo Grande, Maracaju, Sidrolândia, Itaporã e Bonito. Caarapó, Itaquiraí, Laguna Carapã, Nova Alvorada do Sul, Rio Brilhante e Três Lagoas possuem entre 20 e 30 empreendimentos piscícolas. Empreendimentos piscícolas com áreas inundadas superiores a 50 hectares estão localizados nos municípios de Dourados (2), Itaporã (3) e Ponta Porã (1). Predominam no Estado, empreendimentos de pequeno porte, com área inundada inferior a um hectare. Por outro lado, existem ao redor de 3 a 4% de empreendimentos com áreas inundadas superiores a 10 hectares. Os empreendimentos com áreas inundadas superiores a 50 hectares encontram-se localizados no eixo sudeste/sul do Estado. Existem também registros de cultivo de 32 espécies nas pisciculturas de Mato Grosso do Sul, de espécies nativas do Pantanal a espécies de outras bacias hidrográficas e provenientes de outros países.


O pacu ainda é a espécie mais cultivada, tendo sido encontrada em cerca de 70% das propriedades, seguidas de piavuçu e a tilápia, entre 30 e 40%. A seguir vem as espécies pintado, tambacu e curimbatá, carpa capim e lambari nos registros da Secretaria Estadual e carpa, pintado, tambacu, curimbatá e lambari nos registros da SEAP. As demais espécies são cultivadas em freqüências inferiores a 10%. Dentre as espécies mais cultivadas encontramos como exóticas a Carpa o Cat Fish e a tilápia; Merece também destaque especial o cultivo de tambacu, híbrido do cruzamento de tambaqui com pacu. Muito embora seja vendido e distribuído como pintado, é sabido que os alevinos de pintado são quase sempre híbridos de pintado com cachara. O uso da hibridização na piscicultura merece cuidados especiais pois possíveis escapes de híbridos podem constituir uma ameaça potencial à integridade genética de populações nativas de peixes, devido ao risco de retrocruzamento, com alterações na sua composição genética. Recomenda-se ainda que sejam efetuadas pesquisas sobre os híbridos utilizados nas criações piscícolas, pois não existem informações que assegurem que os mesmos sejam inférteis.


Como mais da metade das atividades de cultivo de peixes são de pequeno porte, seria desejável ofertar a esses pequenos produtores, capacitação sobre construção de infra-estrutura para cultivo, formulação e uso adequado de rações, qualidade da água necessária ao cultivo, administração da atividade e os embasamentos legais para o exercício da atividade. Em áreas pequenas, aconselha-se o policultivo para otimizar o rendimento, utilizando espécies de diferentes níveis tróficos como, por exemplo, pintado, pacu e curimbatá, pintado, piavuçu e curimbatá, etc. A estratégia é colocar, sob cultivo, espécies de diferentes níveis tróficos a fim de otimizar o uso dos alimentos fornecidos aos peixes e reduzir a carga orgânica na água de cultivo. A utilização do curimbatá nos sistemas de cultivo extensivos é interessante, na medida em que é uma espécie detritívora (alimenta-se de detritos provenientes das rações não consumidas) e pode contribuir para melhorar a qualidade de água do cultivo, reduzindo a carga orgânica dos sistemas de cultivo.


Predominam em Mato Grosso do Sul, empreendimentos de pequeno porte, com área inundada inferior a um hectare. Por outro lado, existem ao redor de 3 a 4% de empreendimentos, com áreas inundadas superiores a 10 hectares. Existem apenas 6 empreendimentos com áreas inundadas superiores a 50 hectares em Mato Grosso do Sul, todos localizados no eixo sudeste/sul do Estado. A espécie mais cultivada é o pacu, espécie nativa da região.

 

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