01 de dezembro de 2021
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É preciso falar sobre

Quando alguém tira a própria vida, o que vai além desse "ponto final"?

Mesmo na tragédia e dor imensa, um suicídio tem muito a ensinar sobre a vida

15 OUT 2021 - 10h54min
Raul Delvizio

"27 anos... a mesma idade que a minha..."

Central Pax_10

Quando O Pantaneiro compartilhou a triste notícia no dia de ontem (15) sobre o suicídio do anastaciano Gustavo Lima, o jornalista que vos escreve não deixou de pensar na frase acima.

A chama da vida desse rapaz agora jaz apagada, consumida por uma tristeza coletiva e ao mesmo tempo que nos parece tão familiar. Porém, esse evento vai muito além de um simples "ponto final". Então o que isso nos ensina de verdade?

Mesma idade que o jornalista que vos escreve: com tanta vida pela frente, Gustavo optou por terminá-la aos 27 anos.

Primeiramente, que é preciso e urgente falar sobre. De acordo com o alerta do Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a terceira causa de morte de jovens brasileiros entre 15 e 29 anos. A cada 46 minutos, uma pessoa tira a própria vida no Brasil.

Para a psicóloga e suicidologista aquidauanense Suelen Silva Arguelo, de 32 anos, o suicídio não deve ser observado isoladamente, como um fenômeno amplamente social.

"A tentativa de suicídio é o último estágio do sofrimento humano. E isso nos revela um drama pessoal, ou seja, um sofrimento individual que acontece em meios às relações interpessoais em um ambiente social, político e cultural, mas nunca isolado", explica a especialista na intervenção da autolesão, prevenção e posvenção do suicídio.

Anastaciano de nascença, Gustavo morava com a família em Campo Grande; sua morte foi constatada pelo irmão.

Segundo Suelen, sentimentos como desespero, desamparo e desesperança podem ser manifestados, e ainda conectados a uma motivação como a denúncia ou validação da dor.

"Quando consumado, ele traz um impacto para além das vítimas, mas à todos, seja os familiares enlutados ou outras pessoas que direta ou indiretamente lidam com o problema", pontua.

É o que se pode testemunhar das diversas manifestações de lamento no dia de ontem. Presencialmente, durante o velório e enterro de Gustavo em Campo Grande, por exemplo.

"Primo querido, jamais esqueceremos sua luta", era descrito em frase de coroa de flores.

"Perdi tudo o que eu tinha. Se alguém tivesse a oportunidade de ter um irmão como ele, eu queria que todo mundo tivesse um pouco do Gustavo", declarou o irmão Adriano Lima para o site Campo Grande News.

Até a Secretaria Municiapl de Saúde (Sesau) de Campo Grande se manifestou em publicação oficial. Nacionalmente, blogueiras e celebridades repercutiram o fato. Já nas redes sociais, após notícia divulgada pelo Jornal O Pantaneiro, muita comoção, entre condolências aos familiares e pessoas pedindo por "mais respeito e amor no coração".

"Eu como mãe penso que não podemos proteger integralmente nossos filhos da maldade do mundo e isso me faz ter medo do futuro. As pessoas precisam parar. Ninguém nasce para sofrer, ninguém nasce esperando se encaixar em um padrão de 'normalidade'. Somos todos diferentes e isso é o que somos", escreveu uma usuária.

Para além do "sorriso": familiares contam que Gustavo já lutava há algum tempo contra a depressão; o gatilho para o gesto suicida veio meses após ele ter sido vítima de homofobia em uma fila de vacina contra a Covid-19 na Capital.

Parentes de Gustavo disseram que ele já havia há algum tempo lutando contra a depressão – doença que a OMS considera como "o mal do século XXI". Nenhuma "frescura" mas silenciosa e incompreendida, ela atinge cerca de 10% da população mundial.

"É importante entendermos que problemas de saúde mental são um importante fator de risco, mas não a 'causa'. Existem outros que podem tornar a pessoa predisposta ao comportamento suicida – e é biopsicossocial: fatores como riscos psicológicos, psiquiátricos, sociodemográficos e físicos. Para que o comportamento se consuma, é necessário também um gatilho, um facilitador e a oportunidade do ato", salienta Suelen.

No caso de Gustavo, a motivação parece ter sido clara: em agosto deste ano, o jovem – que trabalhava como voluntário em um drive-thru de vacinação contra a Covid-19 em Campo Grande – foi vítima de um ato homofógico. Uma mulher ainda não identificada pela polícia usou palavras de baixo calão contra o profissional de saúde, recusando o seu atendimento vacinal.

Na época, o caso tomou tamanha proporção que acabou viralizando Foram matérias jornalísticas, reportagens, vídeos, comentários na internet e até mesmo menção e homenagens à Gustavo por vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande. Com a morte do jovem, o mesmo também aconteceu.

A Sesau escreveu nota de pesar nas redes sociais pela morte do voluntário e profissional de saúde de 27 anos.

Como ajudar – O suicídio pode e deve ser evitado – porém como? Para Suelen, todo mundo tem a capacidade de ajudar na prevenção de um ato suicida.

"Não apenas os profissionais de saúde, mas todos nós, independente da profissão, podem contribuir. Afinal, somos seres humanos. Entretanto, a sociedade brasileira tem a 'crença' de que devemos esconder nossas fragilidades e momentos de tristeza. Não podemos silenciar nossas emoções. Possibilitar um espaço de fala e escuta em diversos setores sociais é fundamental. Enfrentar problemáticas como a discriminação, o abuso sexual, a violência, o desemprego, a psicofobia e a luta por políticas públicas e garantia de direitos podem proporcionar condições adequadas à existência e sobrevivência de todos", opina.

Abaixo, a psicóloga e suicidologista Suelen Arguelo compartilha sites e instituições que podem ajudar a quem mais precisa de uma mão amiga. Confira:

  • mapadesaudemental.com.br – Possui atendimento psicológico gratuito e voluntário, on-line ou presencial;
  • mapadoacolhimento.org – Disponibiliza atendimento gratuito para mulheres vítimas de violência de gênero;
  • podefalar.org.br – Possui um canal de escuta para adolescentes e jovens, com o objetivo de reduzir a violência e abuso infanto-juvenil, autolesões, tentativas de suicídios;
  • cvv.org.br – Conta com apoio emocional 24 horas por dia, via chat ou telefone 188.

Na Capital, o Grupo Amor Vida (GAV) presta um serviço gratuito de apoio emocional a pessoas em crise através dos telefones (67) 3383-4112, (67) 99266-6560 (Claro) e (67) 99644-4141 (Vivo), todos sem identificador de chamadas. Ligue sempre que precisar!

Horário de funcionamento da instituição é das 7h às 23h, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Informações pelo site oficial.

 

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