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Texto Especial: Mulheres, discriminadas mas vencedoras!

Discriminação não tem o aval bíblico

No Dia Internacional da Mulher, a conclusão mais importante que se deve chegar, a partir de uma reflexão honesta, é que realmente as mulheres são dignas de uma menção honrosa pelos papéis que desempenham e pelas conquistas alcançadas, a despeito de todas as dificuldades impostas por uma sociedade acentuada e comprovadamente machista. Se poucas são as unanimidades no mundo, ressalte-se hoje a discriminação imposta à mulher em todas as culturas. No Brasil, por exemplo, essa tendência vem desde os primórdios, conforme atesta o clássico "Casa Grande e Senzala", de Gilberto Freire.

Uma breve incursão na literatura indica que mesmo alguns dos homens mais sábios do mundo, tiveram uma visão depreciativa da mulher. Na literatura rabínica há quem tenha observado que a mulher atua como um "estorvo" para a espiritualidade do homem. A Bíblia, que absorveu do judaísmo o que conhecemos como Velho Testamento, reflete em alguns momentos essa cultura discriminatória. A leitura dos textos, contudo, deve ser feita com o uso de uma hermenêutica correta, para que se entenda que é preciso se aproximar do texto sabendo discernir entre cultura e escritura. Caso isto não seja feito, uma injustiça pode ser feita, como veremos mais a frente.

Na filosofia, literatura e política muitos homens famosos definiram conceitos que hoje causariam espanto e revolta, não fosse a compreensão de que eles refletiram as manifestações próprias de um tempo. Assim, no século V A.C vamos encontrar Confúcio, filósofo chinês, dizendo que "a mulher é o que há de mais corrupto e corruptível no mundo". E o que dizer de um conceito emitido por Péricles, político democrata ateniense, na mesma época, num de seus discursos, quando disse que "as mulheres, os escravos e os estrangeiros não são cidadãos"? . Durante os séculos posteriores essa visão prevaleceu. Petrarca, venerado poeta renascentista italiano, expressaria no século XIV que a mulher é "inimiga da paz, fonte de inquietação, causa de brigas que destroem toda a tranqüilidade, a mulher é o próprio diabo". Alguns séculos depois Napoleão Bonaparte, imperador francês, teria dito que "as mulheres nada mais são do que máquinas de fazer filhos".

Esse pano de fundo histórico, marcado pela discriminação à figura da mulher, lança luz sobre duas constatações históricas fundamentais. Primeiramente é surpreendente que a Bíblia, por mais paradoxal que seja, em muitas de suas páginas confira um lugar de dignidade a mulher, em termos conceituais e registra o aval de Deus a um papel ativo da mulher, contrariando a lógica dos tempos antigos. Salomão, no conhecido texto de Provérbios 31, define o perfil de uma mulher tipicamente afinada com alguns dos ideais propugnados pelo movimento feminista moderno. No projeto de Javé algumas mulheres foram escolhidas para atuarem ativamente em situações decisivas da história bíblica. Basta-nos lembrar o papel de Hulda, a profetisa, que nos tempos do Rei Josias, foi a pessoa escolhida para clarificar o que os homens não tinham compreendido. No Novo Testamento às mulheres foi dado o privilégio de atuarem como primeiras testemunhas do evento significativo da fé, a ressurreição de Jesus Cristo.

A discriminação imposta a mulher, portanto, nunca encontrou eco no projeto divino, antes é fruto da visão distorcida de certos sistemas de pensamentos. Talvez por compreender isto um poeta conclamou as mulheres a serem "gratas a Deus", por alçá-las a uma condição digna e respeitável. Mas, o jugo imposto pelo homem a mulher ao longo de séculos contribuiu para que elas fossem despertadas à lutar por aquilo que sempre entenderam ser direitos inalienáveis de cada uma, como ser humano. O movimento feminista surgiu, então, como fomentador de diversas lutas positivas e coroadas de êxito por alguns desses direitos. Se na perspectiva de alguns ele trouxe consigo alguns exageros, é outra questão. É inegável, contudo, sua contribuição pelo estabelecimento de uma ordem mais justa no universo feminino. Como diversas distorções ainda existem no que diz respeito às igualdades, a luta certamente vai continuar. E como a mulher tem como uma das marcas distintivas o alto grau de perseverança em relação aos seus desejos, não temos dúvidas de que aquilo que pode ser visto, hoje, como uma injustiça social, que é o valor dado ao trabalho da mulher, vai ser corrigido. E pelo menos no que diz respeito a relação entre homens e mulheres ainda viveremos num mundo mais justo.

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