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Uma lição da Festa da Farinha para o Festival Pantaneiro

Manter características próprias é fundamental diz editorial de O Pantaneiro

Um conhecido site da cidade lançou uma enquete, outro dia, sobre os artistas que o público de Aquidauana e região querem ver no palco, por ocasião da segunda edição do Festival Pantaneiro. As resposta predominantes incluíram os nomes que mais estão projetando o nome do Estado de Mato Grosso do Sul - aliás, como nunca - no cenário da música "sertaneja" nacional: Luan Santana, João Bosco e Vinícius e Rodolfo e Maria Cecília.

É inquestionável que a presença destes artistas poderia atrair grande público. Mas, este perfil musical se enquadra no propósito maior do evento, que é resgatar e manter os traços predominantes da rica cultura pantaneira?
Essa discussão não é tão simples assim. E certamente vai criar muita chateação para Marcus Chebel, o homem que deve coordenar o projeto do evento, novamente. E por que? Há os que dizem que a cultura do pantanal incorporou, ao longo de décadas, os traços de outras culturas. E enfatizam: afinal, a música não transcende a qualquer cultura estabelecida?

Não se questiona isto. Mas, também é verdade que o homem pantaneiro, que pode até gostar dos rítmos universais, tem seu jeito próprio de cantar e contar das coisas que povoam seu mundo místico e deslumbrante. Se uma música tem que representar o pantanal, será a música de viola ou algo parecido com os acordes de violão da saudosa Helena Meireles, lembrada equivocadamente como "violeira". Uma boa sugestão talvez fosse descentralizar alguns shows do palco maior, trazendo-os para cenários menores, mais compactos. Neste formato seriam bem vindos nomes como Marcelo Loureiro, que já tocou até com a Orquestra de Paris e talvez ainda seja desconhecido para muitos, aqui.

Mas, para quebrar o galho do coordenador do evento que está despontando como aquele que vai projetar Aquidauana no cenário cultural do Estado, o coordenador do evento já consolidado do lado de lá, Claudio Valério, já firmou convicções: a Festa da Farinha, criada para prestigiar a cultura nordestina, fortíssima em Anastácio, será caracterizada, sempre, por elementos da cultura nordestina. Nas cantorias, por exemplo, já estão definidos nomes como Cajú e Castanha e o consagradíssimo Alceu Valença.

Por ocasião da primeira edição do Festival Pantaneiro, que superou todas as expectativas, os respeitados músicos de Almir Sáter já chamavam a atenção para a necessidade de não se descaracterizar o evento. Eles criticaram a projeção de músicas americanas, em alguns ambientes, que nada teriam a ver com o espírito da festa (foi a única falha que apontaram). Lembraram de uma festa de cachaça, no sul do país, onde tudo gira em torno da cachaça. Lá, Coca Cola e cerveja, por exemplo, não entram. Antes que alguém critique, a festa está consolidada, reunindo milhares de pessoas e movimentando a economia da cidade que a promove. Assim, no Festival Pantaneiro nada mais coerente do que simplesmente sermos pantaneiros!

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