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Até pouco tempo atrás Lourenço poderia ser visto, por muitos, como um cidadão comum. De incomum, o fato de ser um funcionário exemplar. Mesmo as eventuais crises de relacionamento, com a então namorada/noiva, Elza, poderiam ser vistas como normais. Até que, num dia fatídico, para espanto, ele, até então sem rosto para qualquer página mais destacável da história, escreveu uma, nefasta, ao tirar a vida da companheira de vários anos de caminhada e atirar contra si. Uma tragédia, que nunca será esquecida pela cidade.


A ação de Lourenço, como era natural, foi o assunto de vários dias, de boca em boca. A tendência geral, nas manifestações, foi um julgamento público às vezes impiedoso de parte de alguns, conforme pode se ver nos murais de nossos sites. Obviamente é inquestionável que ele errou, afinal, ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém. A vida - dádiva de Deus - deve cumprir sua trajetória normal nas experiências de cada um. Só seu criador, neste sentido, pode intervir. Contudo, emoções à parte, seu gesto pode muito nos ensinar.


Pelo texto deixado por Lourenço (uma carta), é possível que ele estivesse deprimido. Mas, como raciocinar em hipóteses é extremamente perigoso, o mais coerente é simplesmente evitarmos determinados julgamentos, a favor ou contra. De certo, sabemos que todos nós, ao longo da vida, nos deparamos com situações sobre as quais não temos controle. Assim, as reações podem ser diversas. Algumas resultam em tragédias.


Como o assunto é delicado, há uma lição para a vida nas entrelinhas desta tragédia: muitos, como Lourenço, podem estar por ai, às vezes bem próximos de nós. São pessoas marcadas por pensamentos negativos, tensões várias, ira, culpa, decepções, causas ambientais - como o caso típico de pessoas que crescem sem um lar estruturado - e outras causas que podem gerar ações extremas.


A grande verdade é que a correria do dia a dia, a existência ensimesmada da maioria de nós e outros agravantes, impede um olhar mais cuidadoso para o outro. E quando os processos traumáticos de rupturas acontecem, ficamos decepcionados com nós mesmos: "como não percebemos"?, "eu poderia ter ajudado, se soubesse", etc. Talvez por essa "desatenção" não tenhamos o Lourenço, a Elza, e tantos outros, por aqui. Cuidemos dos que ainda estão.

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