IFMS
Gás de cozinha custa caro nas comunidades indígenas e jovem decidiu ajudar; ideia será patrocinada pela empresa MS Gás
Daniele Valentin
Publicado em 04/02/2019 às 18:30
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
A aluna Sara Yasmin, do curso Técnico em Edificações, do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul) se destacou com o desenvolvimento de um projeto de biogás, que produz gás de cozinha em comunidades indígenas. Além dos benefícios sociais, o projeto leva economia e melhorias ambientais para as aldeias.
Em vídeo publicado pela TV Escola, no You Tube, a jovem indígena conta que estudou na aldeia até o oitavo ano. Ela conta quea aprender a língua materna desde a primeira série a ajudou a conversar com anciões da comunidade e saber como tudo começou.
Fiha de pai mineiro e mãe indígena, a jovem decidiu sair da aldeia para estudar mais. "Fui incentivada a sair da aldeia pelos meus tios. É difícil, mas só assim para crescer. Meu pai é analfabeto e minha mãe desistiu, só tem o ensino fundamental, eles dizem que não tiveram oportunidade e isso me dá força para continuar e incentivar meus irmãos”, disse.
Entre teoria e prática, Sara se apaixonou pelo curso e durante a aula da professora de química Valquíria Ferreira teve a ideia do projeto. Sara lembrou do alto valor do gás de cozinha na aldeia. “Estávamos nessa matéria da questão de biocombustíveis e eu lancei a ideia se existia uma energia alternativa para produção de gás sem precisar pagar e ela explicou que era o biogás”, conta Sara.
“No fim da aula ela falou que tinha interesse porque na aldeia o gás era caro e decidimos fazer”, completou a professora.
A aluna pontua que na aldeia não há saneamento e nem descarte correto de lixo e passou a coletar os resíduos e depositar em um biodigestor, onde ocorre todo o processo de geração de biogás.
Valquíria pontua que Sara sempre pensou na aldeia inteira, mas começou em casa. “Agora toda a aldeia quer. Foi um desafio, onde está indo? onde vai parar? um gesto na sala de aula. Acho que vai dar certo”, pontua, emocionada, a professora de química.
Do IFMS, a notícia chegou à UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e depois até à empresa MS Gás, que descobriu Sara e se interessou em patrocinar o projeto. “Vamos colocar nossos engenheiros a disposição dela para que ela implemente o projeto, é um projeto muito bom para ficar só no papel”, disse o presidente do MS Gás, Rudel Trindade.
A ideia também foi abraçada por outras comunidades. O cacique da aldeia Buritizinho Josué Martins apoia o projeto e destaca que é algo que ficará para as crianças. "Tem ancião que já está quase terminar,e eu estou indo atrás, a gente vai deixar para as crianças. Daqui não sei quantos anos", disse.
O cacique da Aldeia Limão Verde Alberto Oliveira elopgia o projeto. "Eu vejo esse projeto para nossa comunidade indígena, sendo ela uma acadêmica, vejo como um privilégio, por isso nós abraçamos", disse.
A ideia de Sara é levar a sustentailidade para locais distantes. "me tornei pesquisadora na área indígena o pessoal tem orgulho na comunidade", lembra Sara.
"A sensação de orgulho é muito grande, de a gente ter ela", disse emocionado o trabalhador rural, Ramon de Faria da Cruz.
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