Nos Estados Unidos, o acordo da dívida foi aprovado na segunda-feira (1º) na Câmara dos Deputados. Daqui a poucas horas, passa por uma nova votação no Senado. Por enquanto, o país evitou o calote. Mas o custo político e econômico das medidas pode sair caro.
A emoção ficou por conta da deputada Gabrielle Giffords, que apareceu de surpresa para votar. É a primeira vez que ela vai à Câmara depois de ter sido atingida por um tiro na cabeça em janeiro, durante um atentado no Arizona. Com o cabelo ainda bem curto, Gaby, como é mais conhecida, ficou entre a vida e a morte, e mostrou estar recuperada. Foi ovacionada.
Em uma demonstração de que o plano aprovado foi uma vitória do Partido Republicano, de oposição ao governo Obama, os deputados do Partido Democrata deixaram para votar no último minuto, criando suspense. Os republicanos conseguiram o que queriam: cortes profundos e, por enquanto, nenhum aumento de impostos, como Obama exigia.
Ao todo, 95 democratas votaram contra o plano, o mesmo número que votou a favor. No final, a medida passou com 269 votos a favor e 161 contra. O projeto aprovado na Câmara deve ser votado ainda nesta terça-feira (2) no Senado, a tempo de a nova lei ser assinada pelo presidente Obama antes do fim do dia, e entrar em vigor.
O plano tem várias etapas. Imediatamente, o teto da dívida será elevado em US$ 400 bilhões e até fevereiro em mais US$ 500 bilhões. A partir de outubro, começam os cortes de gastos de US$ 917 bilhões em dez anos.
Em novembro, um comitê formado por democratas e republicanos vai propor mais US$ 1,5 trilhão em cortes adicionais, metade no orçamento de defesa e metade em educação, saúde e outras áreas. Poderá também propor aumento de impostos. Ao todo, US$ 2,4 trilhões é o valor total que o país poderá economizar em despesas e aumentar o limite máximo de endividamento. Isso garantirá o pagamento das obrigações do governo até o fim de 2012.
Se o Senado aprovar a medida, o que é dado como certo, os Estados Unidos terão evitado um desastre financeiro. Mas o presidente Obama sai machucado, por ter cedido às exigências da oposição, com a popularidade no nível mais baixo de sua presidência, apenas 40 pontos. A reeleição de Obama, no ano que vem, pode estar ameaçada.