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Internacional

Rússia nega que tenha dado ultimato à Ucrânia na Crimeia

Fontes citadas pela agência Interfax haviam afirmado que forças russas preparavam ataque militar em caso de recusa de rendição na Crimeia

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O governo russo deu nesta segunda-feira um ultimato às forças ucranianas na Crimeia: se não se renderem até as 5 horas desta terça-feira (meia-noite em Brasília), enfrentarão um ataque militar. A informação foi divulgada pela agência Reuters, que reproduziu uma nota da agência de notícias Interfax-Ucrânia, que por sua vez citou fontes anônimas do Ministério da Defesa da Ucrânia. Segundo essa versão, o aviso foi repassado pela frota russa que está de prontidão no Mar Negro e teve como porta-voz o comandante Alexander Vitko, segundo a Reuters. Já o Ministério da Defesa russo negou qualquer ordem nesse sentido e disse que os relatos publicados são "puro nonsense".
 
O ministério ucraniano ainda não confirmou oficialmente o relato, tampouco o fizeram representantes da frota do Mar Negro, que têm uma base na Crimeia, uma antiga instalação soviética que permaneceu sob controle russo após a queda do comunismo. "Se eles não se renderem antes das 5 horas de amanhã, um ataque real será iniciado contra as unidades e divisões das forças armadas por toda a Crimeia", disse a agência, citando a fonte do ministério.
 
Milhares de soldados russos passaram a ocupar, no final da semana passada, bases, aeroportos e estradas da região. A movimentação se deu dias após o presidente ucraniano Victor Yanukovich, um aliado de Moscou, ter sido destituído pelo Parlamento. O novo governo ucraniano vem classificando as ações russas de ?agressão? e até mesmo de ?declaração de guerra?, e ordenou a mobilização das suas tropas, incluindo reservistas.
 
Também nesta segunda-feira, o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que as tropas russas que ocupam a península da Crimeia, na Ucrânia, vão ficar na região até a ?normalização da situação política? no país vizinho. Os russos afirmam que estão querendo apenas proteger a minoria russa que vive na Crimeia e defender seus interesses na região. 
 
Os EUA já reconhecem que a Rússia está efetivamente controlando a península e estima que 6.000 soldados tenham sido enviados para ocupar a região. Já o governo interino da Ucrânia estima que 15.000 militares chegaram nos últimos dias.
 
Nesta segunda-feira, foi a vez de soldados sem identificação que usavam veículos com placas russas tomarem o terminal de balsas da cidade de Kerch, que liga a península à Rússia. A província também está sendo comandada efetivamente pelo Parlamento local, que já convocou um referendo para consultar a população local sobre o status da região. 
 
Não só a Crimeia registra tensão nesta segunda-feira. Segundo a BBC e a agência Reuters, manifestantes pró-Rússia tomaram parte de um prédio administrativo na cidade de Donetsk, um centro industrial de cerca de um milhão de habitantes na região leste da Ucrânia, que à semelhança da Crimeia, também é habitada por pessoas que têm o russo como língua principal. Na semana passada, movimentos semelhantes de manifestantes pró-Rússia na Crimeia anteciparam a intervenção do país vizinho.

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