04 de dezembro de 2020
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Memórias Pantaneiras

Avoa, coração!

21 AGO 2020 - 08h15min
Raquel Anderson

No piquete, retangular, o teco-teco aterrissado no final da pista/piquete, ostentava suas asas e hélices inspiradoras…vermelho e branco, com bancos de couro bege… uma belezura…

Do lado de fora, olhávamos as janelinhas de acrílico, verdes, com cortininhas afiveladas ao meio, na mesma cor dos bancos.

O prefixo PT alguma coisa, sempre aguçou nossa curiosidade, mas só descobrimos, muitos de nós, que o “Detran” da aviação é composto assim, na aviação civil brasileira.

Estávamos em julho, com prenúncios de um agosto com ventos uivantes no Pantanal.

O tio piloto, causava muita chiquesa pelas suas habilidades aéreas, famoso pelas manobras, usava óculos escuros ao estilo aviador, impressionando, ainda mais, toda galera familiar e as adjacentes…

A malinha de papelão abrigou as roupinhas boas para usar na cidade e o casaco de feltro, vermelho, bordado a mão, com flores e cogumelinhos.

A mãe queria mandar uns agradinhos pra vó, mas não cabia quase nada na pequena mala e o pai disse que não era recomendável pegar carona de avião levando um monte de coisas… “fica chato!”

Puxa!! Quando retornávamos do mato, depois que a gente foi fazer o número 2, passamos pelo abobral e tinha uma abóbora linda, com um caule/cabo, idêntico a um cabo de guarda-chuvas que encaixou certinho no pulso, perfeito! De um lado, a mala, do outro lado, a abóbora para a vó e, de quebra, um monte de flores de abóboras no saquinho de açúcar, dentro da mala…

Um abraço super apertado na mãe, muitos beijinhos e a promessa de que a primeira providência seria entregar as cartas: pra vó, pras tias e o compromisso firmado de ser boazinha, educada e prestativa com todo mundo.

A mãe engoliu o choro umas “par de vezes” prevendo a dor da saudade.

O pai acomodou os pertences da tripulação na “picarpe” pick-up willys, para nos levar até a aeronave.

No trajeto, até o avião, tocou, no rádio da picarpe, Infinito, com Márcio Greyck:

“Nós dois andando pelo céu, tudo é tão lindo

O mundo fica diferente, fica bem distante

É tudo como se tivesse que morrer agora…

E quando vejo teus cabelos da cor do Sol

Eu sinto que se quisesse poderia voar

Andar pelo horizonte sem mistério

E vou olhar teus olhos por que são sinceros…

Na minha viagem pelas estrelas tu terás

O amor sincero e o infinito que não verás

Pois o infinito são seus olhos, meu amor…

Agora pegue as minhas mãos, mas pegue com calor…”

Então o pai apertou com força a minha mão, dizendo, sem falar, sobre o seu amor.

O desejo de passear de avião era maior que qualquer sensação que pudesse surgir…olhar o Pantanal de cima, foi, é e será, sempre, uma grandiosa emoção…

O tio deu muitos rasantes e, já na cidade, havia um código para avisar que ele havia chegado, que consistia em sobrevoar, inúmeras vezes, sobre a casa dele para que providenciassem de ir buscá-lo no campo de aviação, que os aquidauanenses chamavam, chamam, de aeroporto.

Assim que pousamos, avistamos a poeira do Opala SS para nos levar…

O tio era um sujeito adorável, daqueles que ria com o corpo, sacudindo-o todo com suas gargalhadas e, para ele, pilotar, era como andar de bicicleta, tamanha era o seu domínio com o avião e sua tranquilidade..

Quando o primo estacionou o Opala, rente ao meio fio, a vó estava debruçada na janela, juntamente com uma das tias, feito moças namoradeiras, apreensivas… a tia correu para abrir a porta que dava pra rua, esperando encontrar uma criança festiva… saiu do carro uma criança envergonhada com as gentes da cidade, jacu do Pantanal, com uma malinha brega, de papelão, numa mão e uma abóbora pendurada no braço, ornamentando sua jacuzisse com suas trancinhas.

A família toda correu até a sala pra dar as boas-vindas praquela criança, assustada, parada, ali, com a abóbora enganchada no braço…

A vó pegou a mala, a abóbora e ordenou a todos que parassem de rir, imediatamente…

O registro das memórias afetivas, perpetuadas, ao longo e para além das nossas vidas, dão mais conta de afagar a nossa alma do que qualquer recurso tecnológico da atualidade, são sentimentos, recordações e um amor puro, trazidos dos nossos afetos, de grandiosos carinhos que serão abrigos eternos dos tempos das delicadezas!

A literatura que principia o roteiro de um filme, uma peça de teatro, o enredo de uma novela, a letra de uma canção, a narrativa de uma imagem, a literatura, e só ela, aquece o nosso coração.

 

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