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Arquivo Pessoal

Onde estão as argolas, do meio fio, que mantinham os cavalos, arreados, nos esperando, incrustadas, juntas aos paralelepípedos?

Onde estão as árvores que circundavam a matriz?

Cadê a pia batismal?

O flamboyant que ornamentava a saída/entrada da ponte velha?

Os velhos sobrados, as casas antigas e seus quintais, onde estão?

Restam, dentro do desespero da desesperança, a esperança de que esse céu se mantenha, de que esse morro intervenha, garantindo o calor, nosso grande valor…

Restam a necessidade de ficar por lá, onde não mora ninguém, onde eu vivo bem, onde eu sei o horário das araras, respeito o rebosteio das gralhas

Restam as alvoradas dos passarinhos, os ninhos intactos, com seus ovinhos

Restam os meus cachorros mansos a dormirem no terreiro, debaixo do meu balanço

Restam o respeito por essa terra, à espera do florir da primavera

Restam o pilão com seu socador, à cada socada no arroz, esvaem-se todo torpor

Restam as lembranças das compras nas cadernetas, a confiança que aprendemos/apreendemos na infância

Restam os pedregulhos dos toritos

A felicidade era lamber um pirulito

A feliz cidade varrida com vassoura de guanxuma, sem nevoeiro, nem bruma

Resta pouco, restam muitos desejos dos sonhos que antevejo, quando olho Aquidauana pela fresta, com medo de acabar o muito do pouco que ainda resta!

Maria Rute

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