Cacique, sobre eleição em escola indígena de Anastácio: 'fomos enganados'

Ele nega ter problemas pessoais com a diretora eleita e diz aguardar decisão do MPF

21/01/2016 09:15


Chateado com a repercussão do caso sobre as eleições de uma escola indígena de Anastácio, o cacique Enéias nega ter problemas pessoais com Nely Malheiros, diretora eleita, assim como a própria também já havia declarado. Na última segunda-feira (18), ao comparecer para assumir a direção, ela disse ter sido barrada e acabou registrando boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil do município.
 
Segundo o cacique Enéias, da Aldeia Aldeinha, a atitude de barrá-la não foi motivada por causa de desavenças com Nely, mas, sim, em virtude de um protesto contra a SED-MS (Secretaria de Estado de Educação). Ele diz que a comunidade não concorda com a lei do governo estadual, sancionada no ano passado, que dispõe sobre as eleições em todas as escolas estaduais de Mato Grosso do Sul, incluindo as instituições de ensino indígenas.
 
"O Estado organizou uma comissão local e uma comissão estadual, para onde eram levadas todas as dúvidas sobre o processo eleitoral. Porém, fomos enganados pelo sistema, pois acreditávamos que o voto em branco serviria como forma de repúdio e anularia a eleição, e isso não aconteceu", diz a liderança indígena.
 
No dia 02 de dezembro do ano passado, Nely, que alegou estar habilitada ao cargo por ter passado em um concurso público da SED, foi votada oito vezes, número suficiente para que os 230 votos em branco não surtissem efeito da maneira que a maioria dos índios esperava. Ao mandarem os números para o sistema, eles foram surpreendidos com a confirmação de que ela estava legalmente eleita.
 
O cacique Enéias, então, entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação, que esclareceu que o processo não teria como ser revertido. Diante da situação, a comunidade indígena recorreu ao MPF/MS (Ministério Público Federal).
 
"Quando ela chegou para assumir, eu disse que não poderíamos recebê-la como diretora enquanto não saísse o resultado do Ministério Público Federal. Esse problema não afetou apenas nós aqui em Anastácio, mas escolas de outras cidades de Mato Grosso do Sul. Ela [Nely] poderia ter nos procurado para evitar esse constrangimento, mas preferiu falar com um ex-cacique".
 
Antes da primeira eleição prevista por lei, o cacique Eneias, que estava na direção desde 2012, explica que a escolha se dava por indicação interna na comunidade. Ele defende a continuidade desse processo para eleger os novos diretores da escola e diz que, inclusive, já há outra diretora escolhida pelos índios.
 
Em meio ao imbróglio, os funcionários da escola indígena seguem trabalhando, e as matrículas estão sendo feitas normalmente.

da Redação