Policial

Preso na Capital, esfaqueador de Bolsonaro terá sanidade mental avaliada

Psiquiatra de SP chega na próxima semana e trabalhará de graça

19/09/2018 16:34


A defesa de Adélio Bispo de Oliveira, 40 anos, detido no Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, na região sul, após esfaquear o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro (PSL), no último dia 6, em Juiz de Fora (MG), chega à Capital na próxima semana com o psiquiatra paulistano Hewdy Lobo Ribeiro para fazer o laudo técnico de sanidade mental e assim tentar justificar a alegação de que o crime fora cometido por insanidade. 

De acordo com informações apuradas pelo Correio do Estado, Ribeiro não cobrará pelos serviços. Procurado pela reportagem, uma secretária de seu consultório na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, informou que ele está viajando. À revista 'Crosué, alegou que é uma forma "de trabalho voluntário, pelo bem público." 

A junta de advogados formada pelos mineiros Zanone Manuel de Oliveira Júnior, Pedro Augusto de Lima Felipe e Possa, Fernando Costa Oliveira Magalhães e Marcelo Manoel da Costa, que alegam estarem sendo pagos por voluntários religiosos que preferem o anonimato, procurou psiquiatras da Capital para a avaliação, mas todos os pedidos foram recusados. Alguns deles pelo fato da quantia oferecida pelo serviço, de repercusão nacional, ser muito menor que o mínimo cobrado um laudo dessa grandeza.

A chegada apenas na próxima semana se dá pelo fato da Justiça Federal recusar o primeiro pedido de suspensão do processo por 45 dias, feito no dia 11, para que a avaliação seja feita. A recusa foi feita por conta justamente da ausência de um psiquiatra indicado para fazer a avaliação. Com um nome indicado, a expectativa é que o acesso de Ribeiro a Oliveira seja permitido.

Conhecido no meio da Justiça Criminal de São Paulo, Ribeiro já atuou em casos de homicídios daquele estado, sempre como adido da defesa para justificar os pedidos de insanidade mental em crimes considerados hediondos.

INVESTIGAÇÃO

A Policia Federal pretende abrir uma nova frente de investigação sobre as circunstâncias em que ocorreu o atentado contra Bolsonaro. Conforme revelou o jornal 'O Globo', a nova linha de investigação tem como subsídios a localização pela PF de cartão de crédito internacional e extratos de contas bancárias de Oliveira.

A apreensão do material foi revelada pela revista 'Crusoé'. O registro do material também consta em um auto de apreensão das buscas no quarto onde o esfaqueador vivia. 
 
Com a apreensão, a PF deverá pedir a quebra de sigilo bancário das contas de Adelio. O objetivo da nova frente de investigação é descobrir de onde vinha o dinheiro que abastecia as contas e manter o cartão de crédito internacional  do agressor de Bolsonaro. Adelio passou por 12 empregos nos últimos sete anos e em nenhum deles permaneceu mais do que três meses. Ele estava desempregado quando cometeu o atentado a Bolsonaro.
 
Conforme revelou o jornal 'Estado de Minas', Adelio Bispo de Oliveira é integrante de família pobre de Montes Claros (Norte de  Minas). Ele vivia a maior parte do tempo fora da cidade e esteve na cidade natal pela última vez há um ano e seis meses. Os quatro advogados que defendem o agressor de Bolsonaro disseram que foram contratados por igrejas evangélicas de Montes Claros ou pessoas ligadas a elas. Mas, as igrejas as quais teriam sido freqüentadas por Adelio e citadas pelos advogados negaram ligação com a contratação dos defensores dele, desmentindo também pagamento das custas processuais. Assim, surgiram outros questionamentos: sobre quem está pagando os advogados ou se eles apenas decidiram defender Adelio gratuitamente, para aparecer na mídia. 
  
A Polícia Federal  apreendeu em uma lan house em Juiz de Fora seis unidades de disco rígido de computadores que foram usados por Adelio Bispo de Oliveira. Foi o próprio dono do estabelecimento que reconheceu o agressor de Bolsonaro na televisão e chamou a PF. Ele relatou que Adelio usou os computadores de 29 de agosto a 6 de setembro, duas vezes por dia, sempre pela manhã e pela tarde. Ele ficava cerca de uma hora no local e apresentava comportamento “aparentemente normal”, revelou a fonte.
 
Os laudos periciais emitidos até agora indicam que Adelio agiu sozinho ao cometer o ataque contra Bolsonaro, versão sustentada por ele desde sua prisão.   

ESTADO DE SAÚDE

Internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo (SP), para se recuperar de uma facada, Bolsonaro iniciou, nesta quarta-feira (19), alimentação líquida via oral em associação à nutrição parenteral (endovenosa).

Segundo boletim divulgado pelo hospital, o candidato segue afebril, sem outros sinais de infecção e realizando exercícios respiratórios e caminhadas.


Correio do Estado