Temporal na Capital

"Só consegui salvar o meu cachorro", diz moradora que perdeu tudo

Um dia após o temporal, população trabalha na limpeza de destroços

04/10/2018 12:06


Depois do temporal vários moradores atingidos pelas fortes chuvas de ontem começaram a limpeza de suas casas hoje pela manhã. A reportagem do Correio do Estado percorreu diversas regiões de Campo Grande e ouviu histórias tristes da população que foi unânime em classificar o fenômeno de ontem como um dos piores dos últimos anos.

Dona Eloíde  Miranda, 59 anos é uma das atingidas. Ela mora há 15 anos na rua Doutor Eduardo Olímpio Machado, no bairro Monte Castelo. “É a quarta vez que entra água na minha casa, mas desta vez destruiu tudo”.

O terreno da residência é grande e enchente entrou pela parte do fundo, após o muro que faz divisa com a rua Livramento desabar com a força da água. Sem pedir licença a lama entrou pelos cômodos destruindo  três quartos, a sala e deixou o carro boiando na garagem. “Virou uma piscina. Perdi roupa, móveis, alimentos. Não sei o que vou fazer. Estou usando roupa emprestada. Só consegui salvar o meu cachorro”, disse ela que está na casa de parentes.

No Aero Rancho o desespero bateu no salão de beleza de Maria Clotilde Ferandes, 51 anos, que fica na Avenida Tirson De Almeida, quase esquina com a Campestre. A cabeleireira trabalhava no momento do temporal. “Foi tudo muito rápido. Não sabia se eu chorava ou se me socorria. Peguei o que era de valor  e tentei salvar. O resto ficou”, lamenta.

Morando no fundo do empreendimento há 11 anos ela relembra que a última enchente ocorreu há três, mas que esta foi a pior. “Pensei que nunca mais íamos passar por isso. Mas até quando? Todas as vezes nos prejudicamos e nenhuma autoridade aparece para dar uma solução ou sugerir mudança na drenagem”.

Além de perder os equipamentos de trabalho como chapinha, secador e produtos de beleza, se foram roupas, móveis e colchões. “Em nenhuma das outras enchentes veio alguém aqui perguntar se a precisávamos de comida ou água”.

Próximo dali, na rua Sofia Bedoglin a família de Leonardo Saldanha de Souza, 36 anos, limpava a casa que estava inteira com lama. Estamos dormindo em colchões que os vizinhos emprestaram. Não sei o que vamos fazer a partir de agora. Não tem como mudar, porque a gente acabou de comprar essa casa”.

Eles perderam geladeira, cama, colchões, sofá, roupas e estantes da sala. A mãe, dona Genilsa Saldanha de Souza, 68 anos lamenta o azar de ter trocado uma casa de madeira na Vila Jaci por a atual. “Lá quando chovia, molhava mais dentro da gente do que fora. Agora aqui ninguém avisou a gente quando compramos sobre isso. Só fomos descobrir sobre a enchente agora”.

Vizinho da região, o serralheiro Dinei Vilharva estava desolado. Ele estima ter sofrido um prejuízo de R$ 3 mil em equipamentos de trabalho. Foram duas máquinas de solda novas, furadeiras e diversas ferramentas que se foram com a água. “Moro aqui há 11 anos e essa foi a pior enchente da história. Estou perdido no momento. Não faço menor ideia do que vou fazer”.

ASFALTO

Também houve registros de deslocamentos de placas de asfaltos em alguns pontos da Capital. Na Avenida Júlia Maksoud, no Monte Castelo, em frente ao Ginásio Dom Bosco, há um trecho de interdição de duas quadras no trânsito.

Ontem, antes do temporal, equipes de tapa-buracos estavam trabalhando no local e quando veio a chuva entrou água nos locais onde seria depositado nova massa asfáltica. Acabou infiltrando a terra e soltando a placa envolta.

Caso semelhante, mas sem justificativa ocorreu na rua 25 de Dezembro, próxima a rua Doutor Dolor Ferreira de Andrade. As placas flutuaram e com a força da enxurrada os carros que estavam estacionados acabaram subindo sobre o nível do asfalto e colidindo entre si.

Na rua Jaburu, no bairro Octávio Pecura, os moradores tiveram que tirar o lixo da enxurrada com as próprias mãos. Foram 14 sacos de lixo retirados do único bueiro que a rua possui. “Isso acontece todo ano e cada vez é pior. Ninguém faz nada. Ontem dava até para pescar de tanta água que tinha aqui”, disse seo Boaventura Ortiz, 66 anos, que mora há 30 no local e que viu a água bater quase um metro de altura no muro da rua.


Correio do Estado