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Penitenciária tira pão, café, leite e reduz bolo e chocolate do menu de presos

Novo menu ainda inclui ovo em almoço e jantar e reduz refeições especiais de Páscoa, Dia dos Pais e Natal

09/12/2019 16:20


O Depen (Departamento Penitenciário Nacional) abriu licitação para contratar serviços de preparação e fornecimento de alimentação aos presos da Penitenciária Federal de Campo Grande, localizada no Jardim Los Angeles. O edital, cujo contrato foi orçado em R$ 2,4 milhões, prevê corte de 1.073 quilocalorias na dieta diária atual do detento e retira do cardápio opções como pão, leite e café.

Com capacidade para comportar 208 presos, o presídio federal de Campo Grande oferece seis refeições por dia, entregues em três momentos diferentes por questão de segurança - desjejum e lanche da manhã; almoço e lanche da tarde; jantar e ceia.

O menu diário atual é de 4.065 quilocalorias. O novo cardápio sugerido soma 2.992 quilocalorias, indicado em parecer técnico nutricional anexo ao edital de licitação.

Manhã - A mudança começa na primeira refeição do dia, hoje composta por copo de leite integral, dois pães tipo francês, uma xícara de café com açúcar, duas colheres de chá de margarina e uma fruta da época. A bandeja totaliza 629 quilocalorias.

O novo cardápio tira um pão francês do cardápio e oferece queijo como alternativa à margarina. A refeição passa a ser de 478 quilocalorias.

Tarde - A redução proposta no valor calórico do almoço é de 289 quilocalorias - de 1.324 para 1.035. Os itens do prato foram mantidos - arroz (ou macarrão ou vegetais), feijão carioquinha ou preto (alternadamente), farinha, carne branca ou vermelha, legumes, salada, sobremesa ou fruta da época, suco ou refresco.

As alterações estão nas quantidades. O pedaço de carne, hoje tamanho grande, de 300 gramas, cai para tamanho médio, de 200 gramas. A porção de farinha sai de duas colheradas para apenas uma. Os acompanhamentos de legumes e salada, de 100 gramas cada, passam a somar 80 gramas cada.

A sugestão ainda inclui ovo no rodízio da proteína e reduz a sobremesa a uma porção pequena - hoje ela é média - e apenas nos fins de semana.

O lanche da tarde também será modificado. Sai o pão francês com duas colheres de chá de margarina, entram seis unidades de biscoito água e sal, de maisena ou torrada com uma colherada de chá da gordura alimentar.

Hoje fixa, a opção de suco ou refresco entra em revezamento com fruta da época, alternadamente com fatia de bolo simples, sem recheio ou cobertura.

Assim, o valor calórico da refeição cai de 411 quilocalorias para, no máximo, 352 quilocalorias.

Noite - O menu do almoço se repete no jantar, com as mesmas 1.035 quilocalorias propostas. Já na ceia, o preso não terá mais acesso a leite integral e café com açúcar em uma das opções alternadas. O cardápio passa a contar com pão francês, margarina e fruta da época.

A segunda opção de ceia, hoje composta por copo de suco de frutas, pão francês e fatia de queijo, passará a ter biscoito água e sal, de maisena ou torrada, margarina e suco ou refresco.

As refeições devem ser servidas em marmitas de isopor, formato retangular, com quatro divisões internas.

Especial - A refeição especial em data comemorativa, entregue ao preso na Páscoa, Dia dos Pais e Natal em substituição ao lanche da tarde, também terá modificações.

Atualmente, o prato diferenciado tem duas unidades de refrigerante 2 litros, 500 gramas de chocolate e bolo ou torta industrializada de meio quilo.

O edital prevê os mesmos itens, mas corta o refrigerante para uma garrafa de 600 ml, uma barra de 150 gramas de chocolate e um bolo simples de 200 gramas.

Com as alterações, o menu especial terá 1.610 quilocalorias, contra as 6.604 atuais.

Motivo - O parecer técnico de nutrição foi elaborado pela consultoria Qualitá, empresa de Brasília (DF). O laudo aponta que a dieta atual, de 4 mil quilocalorias, está “bastante acima das necessidades calóricas diárias para um homem médio (2.000 a 2.500 Kcal/dia)”.

Segundo parecer, o cardápio vigente foi elaborado “por haver demanda dos presos relatando que passavam fome”.

Ainda de acordo com o documento, a redução em 25% do valor calórico atual deve contribuir para diminuir as sobras e evitar desperdício de alimento.

Rodízio - No parecer técnico, a consultoria ainda recomenda rodízio entre os cozinheiros que preparam a refeição, a fim de atender reclamação dos presos sobre falta de variação no sabor da comida.

É sugerido revezamento dos funcionários a cada dois ou três meses, como, por exemplo, trocar quem cozinha as proteínas com quem prepara os acompanhamentos. O laudo também fala em mudança de marcas e fornecedores para buscar variedade.

O edital de licitação considera que podem ser solicitadas dietas especiais para presos com restrições alimentares devido a doenças como hipertensão e diabetes, entre outras, desde que mantidos os critérios de padrão do cardápio.

A licitação foi aberta na modalidade pregão eletrônico. As propostas das empresas interessadas serão abertas no dia 20 de dezembro.

O fornecimento das refeições tem previsão de início para maio de 2020. O prazo de vigência do contrato é de 12 meses, mas pode ser prorrogado por até 60 meses.


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