Pecuária

Depois de resgatar gado pantaneiro, Marcus Ruiz quer que espécie seja reconhecida

Espécie chegou a ser considerada em risco de extinção

24/10/2020 08:00


Um dos criadores de gado pantaneiro em Mato Grosso do Sul, o produtor Marcus Antônio Ruiz quer que a espécie seja enfim reconhecida pelo Ministério da Agricultura. Ele participou de um trabalho em parceria com pesquisador da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) para preservação e resgate da espécie de gado, que já era considerada em risco de extinção. Atualmente, há cerca de 200 cabeças de gado pantaneiro puras em MS. 

Marcus é um produtor de Aquidauana, mas que atualmente vive em Guia Lopes da Laguna. O criador explica que o gado pantaneiro tem origem européia, principalmente espanhola. O gado começou a ser trazido para a região pantaneira quando Assunção foi destruída, eram principalmente os indígenas que o criavam. Até o início do século XX, o bovino pantaneiro foi a base da economia da região, sendo os animais utilizados além da produção de carne, couro e leite, como meio de transporte, como bois de sela, bois de carga, para puxar carroças e arados, e como força motriz para impulsionar moinhos. 

Porém, a essa raça foi gradualmente substituída ao longo dos anos por meio de cruzamentos absorventes com outros grupos genéticos, em especial os zebuínos, como a raça Nelore. “Os fazendeiros começaram a cruzar com o Nelore, houve um processo de branqueamento da raça, até que quase não existia mais [gado pantaneiro]. Ficou muito pouco, restou mais nas leiterias, porque a espécie tem uma vaca mansa com leite gordo”, conta Marcus.

O produtor explica que foi feita uma parceria com professor da UEMS, para a preservação da espécie pantaneira. “Fomos levantando onde é que tinha boi pantaneiro e hoje estamos esperando a palavra da ministra Tereza Cristina para selar o reconhecimento da raça. Foi feito todo um processo de estudos raciais, até na universidade na Espanha, hoje está pronto. Vamos registrar e espero que um dia a gente vá em uma exposição e veja a vaca e o touro pantaneiro”, diz.

Marcus Ruiz ainda comenta sobre a introdução do gado angus nos pastos de MS, devido à exportação. “O gado angus é para aquele produtor de exportação. Esse bezerro angus tem que ser terminado com ração, quando a pessoa compra carne congelada e tem sabor diferente por causa da ração. Essa carne é a preferida do europeu, chinês, do importador de fora”, afirma.

Para ele, é importante que o boi pantaneiro seja reconhecido e valorizado em Mato Grosso do Sul, principalmente pelas condições de sobrevivência que desenvolveu na região do Pantanal. “O gado pantaneiro pasta até dentro d’água, coisa que o gado branco não faz. Ele aprendeu a se defender até de jacaré, nada muito bem. Não arrebenta o casco no final da cheia”.

O gado pantaneiro, conhecido também como tucura, já correu risco de extinção, mas tem relevância por sua história e importantes características – como a rusticidade e a resistência a doenças. 

Externamente o bovino Pantaneiro, pode ser caracterizado como um animal de menor estatura (devido às pernas serem curtas), porém possui um tronco robusto, com as vacas pesando em torno de 450 kg. Possuem uma cabeça em formato triangular, olhos redondos, orelhas pequenas localizadas acima da linha dos olhos, o dorso é retilíneo e não possui cupim e nem barbela ou umbigo proeminente. Possui chifres muito elegantes e em diversos formatos e a pelagem também é muito variada (foram identificadas 47 cores diferentes), porém há uma predominância da cor baia e castanha. 
 


Redação