Memórias Pantaneiras

Saudades... só saudades...

04/06/2021 17:30


Somente lembranças fazem-me voltar a um passado distante, do tempo de criança... moradora que sempre fui na praça da matriz...

Ali está ele... como no passado... prédio longo, de esquina, construção como tantas outras de moradia que circulavam a praça... tantas histórias ficaram gravadas em suas paredes....

Eu, lá de longe ainda criança curiosa, queria adivinhar o que acontecia naquela casa, no fim da nossa quadra a tantos movimentos de pessoas a entrar e sair a qualquer hora do dia.... sus donos fazendeiros e chefes de partido, seo “Zelito e dona Nene”, mulher de fina educação, acolhedores e sempre prontos a servir a todos nos..

Casa essa a beira da rua com muitas peças, janelas e portas de madeira, seguindo as construções da época, super confortáveis, mais de uma simplicidade enorme....
Seu quintal longo com muitas arvores e as dependências para seus empregados tantos os da casa como também os da fazenda...

Ao passar dos anos... tudo mudou... a casa foi trocada por outra na sua vizinhança... fechada por anos..

Sem ter nenhuma modificação na sua fachada... surgiu como “Cooperativa dos Fazendeiros”.. comercio forte para fazendeiros... com tantos artigos necessário para suprir uma fazenda, em todas as suas instalações... por anos, cumpriu seu papel de bem servir seus associados..

O tempo, as transformações aconteceram.... tudo mudou... ficou somente nas lembranças das mais antigas daquela cooperativa tão útil e prestativa que se fechou.... 
Silenciosa... muda... outra vez ficou aquela casa..

Como um deposito de bebidas, surgiu então... Nessa casa a melhor cerveja de tantas marcas tinham seu lugar.... revivendo assim aquela casa os tempos de gloria... ates as dependências no fundo do quintal foram transformadas em uma casa de “eventos” .... maravilhosas festas foram ali realizadas com sucesso total.... saudades....

Nas voltas que o nosso planeta terra dá, as transformações na nossa vida que mudou, a tecnologia que chegou com força total... bem diferente daquele tempo distante.... prédio, casa, agora fechado está... a espera talvez de uma reviravolta como aconteceu lá no passado....

Ao passar a sua frente, relembrar agora de sua história e de seus moradores, suas paredes tão descoradas pelo tempo, a saudade aumenta....
Somente numa das suas partes a frente da Igreja Matriz serve de mural está gravado uma poesia marcante que diz...

” Como ave em arribação
Eu tive que me mudar
Com a dor no coração
Minha terra abandonar
Eu sou filho do Nordeste
Não descanso um só instante
Sou do sertão do agreste
Sou Nordestino imigrante...”
do Jair Ferreira..

Mais uma vez este prédio casa, apesar de estar fechado, e esquecido marca uma época que a nossa cidade crescia para se tornar o que hoje somos.


Jandira Trindade