Anastácio

Julgamento de assassino de Severino continua nesta tarde

Acusado da morte do tio e advogado disse que não era intenção do mesmo mata-lo

16/06/2021 16:35


Começou na manhã desta quarta-feira (16) e segue durante esta tarde, o julgamento de acusado de matar o ex-presidente da Ordem de Advogados de Aquidauana, Severino Alves de Moura, encontrado carbonizado em uma rodovia entre Anastácio e Nioaque.

O acusado está sendo julgado por homicídio qualificado por motivo fútil, além de destruição de cadáver.

O primeiro a falar no júri, foi a testemunha, o Delegado Antônio Ribas, que na época era delegado Titular da Delegacia de Polícia Civil de Anastácio, ele contou ao júri que foi acionado para atender a ocorrência na noite do dia 13 de dezembro de 2017. 

Ao chegar no local do incêndio percebeu que o mesmo, possivelmente, se tratava de uma "desova" de corpo, visto que a caminhonete não havia sinais de acidente. E durante investigação, testemunhas contaram que no dia da morte, mais cedo o acusado e vítima foram vistos tendo uma discussão por conta de propriedades e que tempos depois, o réu saiu da fazenda no carro da vítima e solicitou que alguém fosse buscar o mesmo em uma rodovia próxima dali.

Investigador da Polícia Civil, que também participou das investigações, disse ao júri, como decorreu o trabalho dos policiais e confirmou o que foi dito pelo delegado Antônio. "Fomos na fazenda dele e conversamos com alguns funcionários do local, que disseram não terem visto o Severino."

Naquela época, à equipe de policiais o réu disse que esteve trabalhando no local com empreiteiros até às 12h.  No interior da fazenda o acusado foi pego coagindo os funcionários para dizer a quem perguntasse, que ele esteve no local até o horário informado. Além disso, 80 placas de metal que estavam na rodovia foram encontradas na fazenda do réu, o que constou como prova do crime, visto que, o mesmo sabia o local exato onde usaria para "desovar" o corpo.

Defesa: 
Testemunhas de defesas foram chamadas para o Juri, dentre elas o cunhado e a irmã da vítima que contaram sobre o temperamento agressivo do próprio severino, como o fato de ele querer processar todo mundo que estivesse contra ele, já que ele era graduado.
A irmã de Severino também falou durante o júri, que cresceu oprimida pelo irmão e em defesa ao acusado falou que o mesmo não gostava do sobrinho porque ele era amoroso com os familiares e que ela era proibida de ver a mãe, que Severino a deixava trancada em casa. 

Promotoria:
Criticou o depoimento da irmã sobre o irmão, segundo o promotor, a vítima foi morta brutalmente, pelo sobrinho com pancada de um poste na cabeça, comprovado por um laudo necroscópico, o mesmo confirmou que houve afundamento de crânio, deslocamento de mandíbula, além de incendiar o corpo do tio junto com carro, para se livrar do crime. 

O promotor ainda frisou que o réu foi sangue frio ao cometer o crime, já que até a faculdade de Medicina Veterinária para o mesmo foi paga com ajuda do próprio Severino. 

Vídeos de testemunhas do crime, funcionários do réu foram apresentados, os mesmos confirmaram que aconteceu uma briga entre os dois, um deles disse que o acusado pediu para ir busca-lo na rodovia próxima dali ele teria saído com a caminhonete e corpo do tio dentro do carro. 

Defesa acusado:
A defesa apresentou o temperamento contrário do que se é conhecido de Severino, irmãs da própria vítima afirmaram que o homem era agressivo e estúpido, não tinha compaixão pela família e principalmente pelo próprio sobrinho, a quem já teria feito diversas ameaças, com enxada. 

No dia do crime, o réu estava na sua propriedade rural trabalhando na cerca, quando Severino chegou no local e questionou sobre as ordens da construção das cercas, que segundo testemunhas a área não pertencia ao severino. 
Em depoimentos as próprias irmãs chegaram a confirmar o temperamento grosso do irmão, uma delas ainda afirmou que até a própria mãe Severino não se importava.

Réu:
Mais cedo o acusado disse em Juri que não pretendia matar o tio, após a discussão e que se defendeu do tio, que estava com um facão na mão. Quando o mesmo teria baixado a mão ele empurrou um poste que acertou a cabeça do tio que caiu em um buraco, e morreu. 

Desesparado e em estado de choque, pediu ajuda de um funcionário para colocar o corpo no caminhonete para desová-lo. Na estrada perceneu que o freio de mão estava puxado, o que teria causado o acidente, batendo nas árvores e pegando fogo. 

Questionado se era intenção matar o tio. o réu disse "só queria me defender", contou. 

O Julgamento foi restrito à alguns familiares e juris, o mesmo foi transmitido por um canal no YouTube, pensando na aglomeração por conta da Covid-19. 


Cristiano Arruda