Exercício substitui repouso em novo tratamento

06/08/2007 14:07


Contrariando a idéia de que pessoas com doenças auto-imunes, como lúpus e esclerodermia - que afetam a pele além de órgãos como pulmão e o sistema imunológico - precisam mesmo é de repouso, o serviço de reumatologia do Hospital das Clínicas (HC), em São Paulo, decidiu testar os efeitos da prática de exercícios físicos na evolução de pacientes que apresentam também comprometimento reumatológico.


O trabalho começou há dois anos e surpreendeu as coordenadoras do estudo ao apresentar resultados positivos, como a melhora da condição clínica dos pacientes, sem qualquer tipo de efeito colateral.


Agora, o hospital se prepara para abrir ao público um centro de condicionamento físico especialmente direcionado para minimizar os efeitos dessas doenças. Batizado de Laboratório de Avaliação e Condicionamento em Reumatologia (Lacre), o espaço, dentro do Instituto Central do HC, em nada lembra o ambiente de um hospital. Sob a supervisão da reumatologista e médica do esporte Fernanda Rodrigues Lima, os pacientes farão exercícios físicos em aparelhos de musculação e esteiras ergométricas como em uma academia normal.


A diferença fica por conta do acompanhamento de especialistas e da menor intensidade do treinamento. "O mais importante, no início, era saber se os exercícios não iam piorar o quadro clínico. O próximo passo é estabelecer o grau de intensidade dessas atividades para criarmos um protocolo", diz a médica.


Além de afetarem os sistemas renal, cardiovascular e pulmonar, freqüentemente as doenças auto-imunes provocam o comprometimento das articulações. Esse quadro pode causar a diminuição da força muscular e afetar a postura e locomoção dos pacientes. Outro problema é o efeito colateral que os medicamentos, como os corticóides, usados no controle dessas doenças podem causar. Durante o tratamento do lúpus, por exemplo, uma das conseqüências pode ser a osteoporose causada pelo uso da droga.


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