90% das mães que perdem bebê em morte súbita fumam

16/10/2007 09:24


Um estudo da Universidade de Bristol, no Reino Unido, concluiu que nove em cada dez mães que perdem seus bebês para a chamada síndrome da morte súbita infantil (SMSI) ou "morte do berço" são fumantes.


A morte súbita acontece quando bebês de até um ano morrem sem apresentar qualquer sintoma, geralmente durante o sono, mas é mais comum nas idades entre um mês e quatro meses.


Os pesquisadores analisaram 21 trabalhos internacionais relacionando a SMSI ao cigarro.


"A exposição à fumaça de tabaco, tanto no período pré-natal como no pós-natal, leva a uma complexa série de efeitos sobre o desenvolvimento fisiológico e anatômico na vida fetal e pós-natal, juntamente com um aumento na incidência de infecções virais agudas, que colocam os bebês numa posição de risco muito maior em relação à morte súbita infantil", diz o estudo, que será publicado nesta semana na revista médica Early Human Development.


O relatório encontrou uma relação linear entre o número de horas de exposição ao tabaco e o risco de morte súbita infantil.


"O risco de morte aumenta a cada hora que o bebê é exposto à fumaça. Por exemplo, um bebê que é exposto ao cigarro oito horas por dia tinha oito vezes mais risco de morrer de SMSI que um bebê que nunca foi exposto."


Campanhas


Embora a ligação entre o tabagismo da mãe e a morte súbita do bebê já tenha sido demonstrada em outros estudos, a equipe de Bristol quis revelar de forma mais precisa os danos do fumo durante a gestação e após o parto.


Os cientistas descobriram, por exemplo, que a proporção de bebês que morreram da síndrome e eram filhos de mulheres fumantes aumentou de 57% para 86% nos últimos 15 anos na Grã-Bretanha.


A queda do número de mortes súbitas entre bebês de mães não-fumantes, segundo eles, se deve principalmente ao sucesso das campanhas que instruíam as mulheres a colocar os seus bebês para dormir deitados sobre as suas costas. Essa recomendação teria evitado centenas de mortes por SMSI.


O remanescente, portanto, estaria muito provavelmente ligado ao fumo da mãe.


uol