Dia Mundial da Alimentação: erradicar a fome deve ser prioridade

16/10/2007 10:01


O representante regional da FAO para América Latina e Caribe, José Graziano da Silva, defendeu que os países da região dêem prioridade à erradicação da fome. O escritório regional da FAO, a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) apresentarão uma proposta para incluir este compromisso na declaração final da 17ª Conferência Iberoamericana, que acontece de 8 a 10 de novembro, em Santiago, e terá como tema central a coesão social.


"É inadmissível ter que conviver com a fome numa região com tanta abundância como a América Latina e Caribe. Além disso, erradicar a fome é um bom investimento: custa menos que conviver com ela", afirmou Graziano, por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro.


Segundo estimativa da CEPAL e PMA, acabar com a fome, além de assegurar a realização de um direito humano, também traz benefícios econômicos: estudo sobre o custo da fome na América Central e República Dominicana mostra que a desnutrição infantil causa perdas de aproximadamente US$6,7 bilhões, o equivalente a mais de 6% do PIB desta região.


A fome na América Latina e Caribe
Segundo os números mais recentes da FAO (que se referem ao período 2002-2004), a desnutrição afetaria 52,4 milhões de pessoas, 10% da população da América Latina e Caribe. No período de 1990-1992, se estimava em 59 milhões o número de pessoas com fome, o equivalente a 13% da população.


Graziano observou que os países avançam de forma desigual em direção à erradicação da fome. A situação mais grave está na América Central, onde o número total de pessoas com fome subiu de cinco milhões entre 1990-1992 para 7,5 milhões entre 2002-2004. Em termos percentuais isso significa um aumento de 17% a 19%. Já a América do Sul conseguiu baixar a população com fome de 42 milhões para 35 milhões, de 14% a 9%.


De acordo ao PMA, do total de pessoas com fome na América Latina e Caribe, quase nove milhões são crianças com menos de cinco anos de idade. "Se as crianças estão mal, ninguém pode estar bem", afirmou Pedro Medrano, diretor regional do PMA para América Latina e Caribe. Ele acrescentou que é preciso dar uma atenção especial ao problema desnutrição infantil para evitar que se condene toda uma geração à exclusão.


Os esforços para erradicar a fome vão no sentido de garantir a segurança alimentar e nutricional e o direito à alimentação de todos. Atualmente, apenas quatro países da região - Argentina, Brasil, Equador e Guatemala - têm leis que afirmam esse direito. A importância dessas leis radica na necessidade de transformar a realização do direito à alimentação num dever do Estado e não apenas um compromisso do governo de turno.


O direito à alimentação
O Dia Mundial da Alimentação é comemorado no dia (16b de outubro) em que a FAO foi fundada em 1945, como parte do esforço realizado no pós-guerra para que as pessoas pudessem viver em paz. A paz pressupõe a existência e o cumprimento dos direitos humanos. Desde sua criação, a FAO trabalha para garantir o direito à alimentação, reconhecido formalmente na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948).


No Dia Mundial da Alimentação deste ano, a FAO lembra a comunidade internacional que trabalhar para garantir que todos possam se alimentar de forma adequada não é um ato de caridade, mas a realização de um direito. "A fome não é uma situação que devamos aceitar, e a região conta com todas as condições para erradicá-la", declarou Graziano.


Do ponto de vista econômico, a região vive um período de crescimento sustentado. Por outro lado, os governos de diversos países da região já manifestaram a intenção de impulsionar o direito à alimentação e implantar os marcos legais necessários para assegurar a segurança alimentar e nutricional. Embora apenas Argentina, Brasil, Equador e Guatemala tenham leis que tratem do tema, o direito à alimentação também está na agenda pública de outros países da região: El Salvador, Haiti, Honduras, Nicarágua e Peru estão em processo de aprovação de leis que resguardam esse direito e o tema está em discussão também no México e no Paraguai.


assessoria de comunicação