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União Européia reprova medidas sanitárias e amplia restrições à compra de carne do país

14/12/2007 08:28


Ao contrário de Rússia e Israel, a União Européia não só mantém as fronteiras fechadas, como vai ampliar as restrições à exportação de carne do Brasil. O motivo é a "deficiência no controle sanitário do país". Segundo o jornal Folha de São Paulo, a decisão será anunciada em detalhes na próxima semana pela porta-voz do comissário europeu de Saúde, Nina Papadoulaki.


A "deficiência no controle sanitário" foi detectada nas inspeções feitas pela missão técnica que esteve em visita ao Estado no mês passado, informa o jornal. Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo estão proibidos de exportar carne bovina à União Européia desde 2005, quando foram descobertos os focos de febre aftosa no Sul do Estado. Em outubro o Ministério da Agricultura devolveu a Mato Grosso do Sul o status de área livre da febre aftosa com vacinação.


"Devido às deficiências encontradas, a União Européia vai aumentar suas restrições e controles sobre a carne bovina brasileira", disse a porta-voz à Folha por telefone, de Bruxelas. Ela acrescentou que os resultados da inspeção "ainda estão sendo estudados" e deixou claro que não se trata de um embargo total ao produto brasileiro, como defendem pecuaristas de alguns países do bloco, principalmente ingleses e irlandeses.


Atualmente a Comissão Européia exige que a carne bovina que importa do Brasil permaneça pelo menos 90 dias em um Estado em que não haja focos de febre aftosa, antes do embarque. Além disso, o abate deve ser feito em um local aprovado pela União Européia, e somente carne desossada e maturada tem autorização para a exportação. No começo da semana, agências internacionais já adiantavam que os resultados da inspeção sanitária no Brasil levou o comissário de Saúde europeu, Markos Kyprianou, a propor o endurecimento das restrições à carne brasileira.


Kyprianou, por enquanto, tem resistido à pressão que sofre há meses de produtores ingleses e irlandeses para impor um embargo total à carne brasileira, mas as inspeções feitas no mês passado acabaram sendo decisivas para o aumento das restrições. Elas devem limitar o número de empresas com licença para vender carne aos 27 países do mercado europeu, um dos maiores consumidores do produto brasileiro.


Governo e produtores de carne no Brasil negam que haja qualquer problema com o produto e afirmam que o país está implementando as recomendações dos inspetores europeus que estiveram no país em março. Procurado ontem, o Ministério da Agricultura informou que só deve se pronunciar sobre o tema depois que for informado oficialmente sobre o conteúdo das medidas. O Itamaraty informou que vai aguardar o detalhamento das medidas para se pronunciar.


O golpe aos pecuaristas brasileiros das novas restrições à carne bovina para a União Européia ocorre pouco mais de duas semanas após uma vitória celebrada pelo setor. Depois de dois anos de embargo por problemas de defesa sanitária, a Rússia informou no fim de novembro o reinício das importações de carne bovina e suína provenientes de oito Estados brasileiros.


A Abiec ( Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne) não quis comentar a decisão da UE. Segundo dados da entidade, o setor exportou, entre janeiro e outubro deste ano, US$ 3,7 bilhões. O maior comprador da carne brasileira foi a Rússia, com 27% do total, seguida do Egito, que consumiu 12%. Outros países da Europa, como Reino Unido e Holanda, importaram 9%. Em 2006, o Brasil exportou um total de US$ 3,9 bilhões.


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