Gisele faz volta ao mundo na Colcci mas pouca gente vê

09/01/2008 09:23


Vestido curto, bota longa. Xadrez grande em vermelho e preto. Xadrez menor. Brilho em tecido amassado. Vestido curto, bota longa (de novo). Vestido curto, botinha curta. Estampas em tom amarelado (no release, dizia, tratava-se de uma estampa de película que se misturava ao desenho do tecido). E mais uma série de botinhas curtas, alternadas pelas longas, combinadas com os vestidos curtos. Esta era imagem do desfile da Colcci, visto desde as duas altíssimas arquibancadas montadas no Centro Cultural Ação Cidadania (o local, por enquanto, é alugado para eventos). Impressão semelhante devem ter tido as ex-participantes de reality shows Estela Padilha (Big Brother) e Lívia Maria (Brazil's Next Top Model), convidadas acomodadas nas proximidades da décima quarta fila, onde a reportagem do UOl estava sentada (ainda se podia contar uns pares de fileiras para cima). Para "embarcar" na "volta ao mundo em alguns minutos" proposta pelo tema do desfile da Colcci, aliás, era preciso um mapa. Para localizar o lugar, disposto marotamente pela organização do evento com numerações repetidas, diferenciadas pelas cores dos convites, entre vermelho, pink, branco, amarelo, laranja. No escuro, ninguém enxergava nada. Para completar, a sequência dos números nas cadeiras era propositalmente desordenada, com cens ao lados de onzes, setenta e uns grudados em quarentas e assim por diante.


Depois de algum tumulto, Gisele aparece e faz a passarela giratória começar a rodar. A presença da top, que pode ser notada a quilômetros de distância, supera a problemática espacial e espalha seu brilho de ícone de moda de toda uma época em três entradas regadas a requebros e jogadas de cabeleira loira, com um final dourado, num vestido todo drapeado e curto de tecido molenga (seria uma espécie de lurex). Entre elas, enxergar o resto da coleção, no entanto, exigia, no mínimo, um franzir de sobrancelhas.


Binóculos a postos, dentro da proposta de streetwear jovem e comercial, a Colcci mostra alguns bons momentos tanto na linha masculina quanto feminina para o Inverno 2008. Bermudas usadas com ceroulas aparecendo, acompanhadas de pullovers de tricô com gola rolê, nos homens, caíram bem. A proporção das calças justas roqueiras com as partes de cima mais amplas, também nos garotos, vem de outras temporadas, mas funcionou, assim como a mistura de algumas estampas. Nas mulheres, as botas altas fetichistas caíram bem em momentos como no look de Bruna Tenório, de mini jeans bufante e blusa de malha de manga longa. Em outros momentos, a fórmula de vestidos curtos e botas tornou-se repetitiva. A cintura alta e a calça estilo saruel, tanto no feminino quanto no masculino, foram vistas em looks que perdiam força na escolha de materiais que pareciam de menos qualidade, caso do lurex usado nos lenços do styling, na calça saruel de Bruna e no vestido que fecha o desfile, no corpo de Gisele.


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